Horta, 18 Maio 2012
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O futuro… ou será equilibrado ou nem será
Magda Costa Carvalho
O ser humano caracteriza-se pela posse da razão.
Esta é uma afirmação que se mostra isenta de grande polémica. Basta abrirmos os olhos para percebermos que o que distingue o mundo humano civilizado teve a sua origem nesse grande prodígio que é o raciocínio abstracto. Casas, carros, pontes, igrejas ou colheres de chá só se tornaram possíveis porque apurámos o engenho, desenvolvemos as ciências exactas (e as menos exactas), afinámos a arte e prolongámos com os instrumentos técnicos as habilidades da mão.
Não desejaríamos viver noutro mundo e estamos absolutamente gratos às gerações anteriores todo o trabalho que nos legaram, possibilitando os índices de conforto e bem-estar de que hoje dispomos.
No entanto, – e reflexões como esta têm sempre um “no entanto” – à medida que fomos entrando nos recessos do nosso campo mental, e daí retirando os recursos necessários à transformação do meio, fomo-nos afastando cada vez mais do que está para além da nossa subjectividade.
Aliás, é curioso como utilizamos a palavra “meio” para nos referirmos ao que nos rodeia, ao Ambiente, à Natureza. Como se a tivéssemos realmente transformado no “meio” ao serviço dos nossos próprios fins. E como vivemos numa época em que, de um modo geral, todos os meios à disposição justificam os fins a que nos dispomos, instalámo-nos numa leitura instrumental do ecossistema que habitamos.
É já habitual o discurso ecologista que apela a sermos mais “verdes”, o que tem a séria vantagem de começarmos a observar uma real alteração da mentalidade ocidental, até há algumas décadas centrada exclusivamente nos interesses humanos. Porém, parece-me que o grande desafio é ainda outro.
O segredo do nosso futuro planetário não pode passar por um discurso utópico e idealista que sirva apenas uma meia dúzia de radicais ambientalistas. O segredo do nosso futuro planetário passa por uma abordagem global e universal, que nos inclua a todos (humanos e não-humanos) e não exija que abdiquemos daquilo que nos torna o que somos: precisamente a racionalidade com que comecei. O “mundo natural” necessita do “mundo humano” (se é que são dois mundos verdadeiramente diferenciados!), tanto quanto este necessita do primeiro.
O desafio hoje é o de aprendermos que somos uma parte decisiva num sistema muito mais vasto e complexo. E que apenas haverá futuro se nos adaptarmos à Natureza, sem perdermos a nossa especificidade.