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Açores 24Horas

TRISTE VISITA AO PARQUE DO CAPELO

ónicas » 26 de Janeiro de 2011


Já há bastante tempo que não visitava o Parque do Capelo, fi-lo  no passado dia dezasseis de Janeiro, e fiquei estupefacto com as mudanças que por ali estão a ser operadas.
Na verdade fui confrontado com o maior atentado, que poderia ter sido feito àquela infra-estrutura de laser, a qual era motivo de orgulho de todos os Faialenses e de funcionários dos Serviços Florestais. Eu próprio utilizava aquele espaço como sendo um dos pontos de atracção turística, e quando mostrava  a ilha a qualquer amigo vindo do exterior, aquele parque era uma paragem obrigatória, deixando-os a todos maravilhados.
Mas voltando ao motivo que me levou a escrever estas linhas, trata-se tão somente o atentado cometido contra aquele parque, pois não consigo entender, como algum responsável por aquele espaço aprove aquela intervenção, que considero atingir as raias da criminalidade, sim porque “aquilo” que está a ser construído, os materiais utilizados, a arquitectura, são a antítese do espírito que levou à construção deste parque, e que foi o resultado de muita carolice dos funcionários e responsáveis dos Serviços Florestais.
Não venham agora os responsáveis, defender a velha máxima, de que, quando se realiza uma ampliação ou remodelação  de um edifício antigo, ou fazemo-lo com uma traça exactamente igual à existente, ou se rompe completamente com esta. Isto até pode ser verdade, e resultar em edifícios como a Casa Grande, mas aplica-lo ao Parque do Capelo, com o seu ambiente muito próprio, a sua arquitectura, a sua integração ambiental, afigura-se na minha modesta opinião numa atitude criminosa.
Podem os responsáveis vir a público dizer que, as instalações sanitárias estavam desadequadas, e que não possuíam instalações para deficientes, plenamente de acordo, mas será que tornar as instalações modernas e condignas, não poderia ter sido conseguido através da construção de uma casa com traça tradicional, executada em pedra, à semelhança do excelente trabalho que foi realizado no pós-sismo, com a construção da moradia tradicional, erguida a poucos metros do actual mamarracho.
Com certeza que a grande maioria dos Faialenses ficaria bem mais agradado com uma solução desse tipo.
Para construírem aquele Mausoléu, deveriam no mínimo ter algum cuidado na escolha de materiais, nomeadamente, utilizar ao invés das cúpulas um vidro acrílico branco, réplicas da pirâmide do Louvre, pelo menos seria mais chique. Ao invés do pavê vermelho, que  deveria ser azul, pois estava mais de acordo com o nome da ilha.
Enfim, para descrever todas as incoerências, seria um rol interminável, a titulo de exemplo  e apesar de ter sido uma passagem apenas pelo exterior, e para alem das já referidas, gostaria de salientar as placas de sinalética, as madeiras exóticas e o betão à vista. Bem para disfarçar fizeram alguns revestimentos em pedra serrada.
Desconheço quem sejam os responsáveis por tão vil atentado, mas quero aqui repartir as culpas entre o arquitecto projectista, que não teve qualquer sensibilidade, para perceber qual o enquadramento da mesma, e os responsáveis por tomarem a decisão de construção.
Pelo menos estes últimos, tinham a obrigação de acautelar melhor o interesse público, e o dinheiro dos contribuintes, evitando a tomada de decisões deste tipo, colocando à discussão pública, ou pelo menos publicando previamente estes projectos para que os Faialenses, como principais interessados, se possam pronunciar, evitando a execução de obras que ao invés de serem motivo de orgulho e satisfação, sejam motivo de discórdia e tristeza.
Mais uma vez venho manifestar o meu mais veemente protesto pela forma como os governantes desta ilha, e os seus representantes, vão desbaratando o nosso dinheiro, apesar da crise que vamos atravessando.
Para terminar, peço a todos os faialenses que façam uma visita ao Parque do Capelo, e caso concordem com a minha opinião, tornem público os seus protestos, para que estes senhores saibam que a população repudia veementemente a sua actuação.

Américo Borralho

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