Horta, 18 Maio 2012
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Um Livro por Semana XCII

28 de Setembro de 2010

Canto ao Pico,

de Manuel de Arriaga 

 

     A par de uma intensa actividade dividida pela política e pela advocacia, Manuel de Arriaga (1840 – 1917) foi também prosador doutrinal e poeta estimável. As suas obras publicadas reúnem temas tão diversificados como poesia, escritos didácticos e filosóficos, textos políticos, discursos parlamentares e trabalhos forenses.

 

     No âmbito deste artigo cabe apenas tecer brevíssimas considerações sobre a poesia deste faialense que foi o primeiro Presidente da República Portuguesa e que viveu intensamente os últimos decénios da Monarquia Constitucional e os primeiros anos da Primeira República.

     Espírito profundamente altruísta e magnânimo, romântico em política como nos gostos literários, a poesia de Manuel de Arriaga inspira-se nos ideais humanitários preconizados pela Revolução Francesa (Liberdade, Igualdade, Fraternidade), estando vertida nas publicações Canto ao Pico (Horta, 1888), Cantos Sagrados (Lisboa, 1899) e Irradiações (Lisboa, 1901) – obras de nítida inspiração romântica e bem reveladoras da alma pura e ingénua de Arriaga e do seu espírito religioso e idealista.

 

     Sejamos claros: Manuel de Arriaga, notável orador, não foi um grande poeta. Mesmo assim, é de reconhecer que às vezes conseguiu, ao abordar temas como Liberdade e Deus, erguer-se a voos que não o deixam em plano inferior a outros poetas portugueses seus contemporâneos, de bem maior fama. Sobressai na sua poesia uma religiosidade de base panteísta.

     Deste autor acaba de sair a edição fac-similada do folheto Canto ao Pico, no âmbito das comemorações do centenário da República promovido pela Direcção Regional da Cultura do Governo dos Açores, com texto introdutório de Susana Goulart Costa.

 

     Em 1887, com 47 anos de idade, Manuel de Arriaga regressa aos Açores depois de 21 anos de ausência, sendo recebido entusiasticamente pelos membros do Centro Republicano da Horta. Nos dias 9 e 10 de Setembro daquele ano realiza, na companhia do seu amigo Artur Avelar e de três guias, uma subida à montanha do Pico. Dessa experiência, intensa e exaltante, resultaram os nove poemas (que devem ser lidos como um só) de Canto ao Pico, cujos versos glorificam a “montanha soberba”. Cinco notas apendiculares escritas pelo autor ajudam-nos a perceber essa aventura inolvidável. 

 

 

Victor Rui Dores



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