Horta, 18 Maio 2012
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A poesia singela de Ana Adelina
Ana Adelina Bettencourt da Costa Nunes (1892-1977) foi, à semelhança de uma Silvina Furtado de Sousa – Iracema (1877-1973), uma mulher de letras e uma poetisa estimável. E isto numa altura em que, no contexto da sociedade faialense, o papel da mulher se remetia praticamente ao doce aconchego do lar.
Desta autora releio o livro póstumo O meu livro de cantigas (Horta, 1976), onde, em versos singelos, vasa todo o lirismo da sua alma idealista e nostálgica. Os seus poemas alimenta-se de amor e revelam um constante deslumbramento por tudo aquilo que a rodeava: o culto pela natureza, a paixão pelo mar, a ligação telúrica à ilha, a evocação do passado, o amor ao marido e à família…
Os versos de Ana Adelina são, por isso mesmo, auto-biográficos, descritivos, impressionistas e confessionais, sendo atravessados por uma suave espiritualidade romântica.
Mulher simples, culta, inteligente e generosa, esta faialense soube perseguir o sonho através de uma poética claramente assumida no feminino. Trata-se de uma poética que parte do eu para os outros. Com efeito, a sua escrita esteve sempre ao serviço dos outros e da comunidade faialense. E deixou marcas nos jornais, nos livros, nas palestras, nas agremiações desportivas, sociais e culturais, no teatro e no ensino do magistério primário.
Pelo muito que fez pela sua terra, merece esta mulher ser lembrada. Quanto mais não seja porque ela foi uma versejadora que, com bons sentimentos, soube escrever poesia estimável.
Victor Rui Dores