Horta, 18 Maio 2012
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Finalmente Árvore,
de Sara Porto
Mergulhando no universo prodigioso da fábula, a faialense Sara Porto escreveu Finalmente Árvore (APADIF, 2010), uma história envolvente e bela que desperta em nós uma imediata adesão afectiva.
Com claros propósitos ecológicos e óbvias preocupações ambientais, este é um livro que sendo para crianças se destina também aos adultos, ou à criança que existe dentro de cada adulto. Sempre assim foi desde as fábulas de Esopo (que viveu seis séculos antes de Cristo), passando por Fedro, La Fontaine, Daniel Deföe, Emílio Salgari, Júlio Verne, Robert Louis Stevenson, Lewis Carroll, entre muitos outros, até aos nossos dias.
A história que lemos, dando conta das aventuras, atribulações e peripécias de uma sementinha que cresce e se torna em frondosa árvore, revela o lado humano dos sentimentos, dos afectos, das emoções e dos estados de alma. De referir que, a pensar nos deficientes visuais, existem 22 páginas do livro em Braille.
Revelando sensibilidade e imaginação criadora, Sara Porto escreveu esta narrativa infantil mas não infantilizada, e isto porque esta é uma história que vai para além do universo respeitante às crianças.
As ilustrações do livro, levadas a cabo por pessoas com deficiência do Projecto Moviment´arte, da Associação de Pais e Amigos dos Deficientes da Ilha do Faial (APADIF), dão sentido, estética e autenticidade à história. Há, nestes desenhos, uma beleza plástica e um fascínio encantatório que é de saudar.
Por conseguinte, este é um livro que olha e nos olha, que fala e nos fala. Deixemo-nos enternecer com esta fábula que se lê com infinito prazer. Porque bem carecidos e carenciados de sonho andamos todos nós.
Victor Rui Dores