Horta, 18 Maio 2012
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Os Novelos
ou a inquietação do partir e do ficar
Os Novelos (colecção Gaivota, SREC, 1990), de Madalena Caixeiro, é um livro sintomático da mundividência açoriana. Mas falta-lhe profundidade narrativa e imaginação criadora assente na magia do verbo. Acima de tudo, falta, neste livro, uma perspectiva do conhecimento aprofundado dos Açores.
É que não se pode escrever um bom romance acerca destas ilhas quando delas se tem apenas um conhecimento pouco mais que superficial. Não basta falar do vaivém das marés, da humidade do clima, da terra que treme, das hortênsias em flor, do perfume dos ananases, do respirar das baleias, ou da estranheza do “sotaque”… É preciso transfigurar o real mítico dos Açores, por exemplo. Madalena Caixeiro está inda a tempo de aprender a lição nemesiana…
Poderá parecer estranho que se comece por avançar aqui uma leitura negativa para um livro que esta recensão pretende defender. É que aspectos, neste livro, que me agradam sobremaneira e que importa aqui registar.
Por exemplo: o retrato psicológico das personagens femininas. São mulheres insuladas, perseguidas na sua ânsia de quebrar a clausura da ilha e habitadas por um percurso de utopia e por um desejo de felicidade. Há, nelas, a revolta interior, a ânsia de evasão, a busca de um amor que ultrapasse a mesquinhez quotidiana da ilha. São mulheres que sofrem o ambiente opressivo ilhéu e que, por isso, perseguem sonhos de viagem e de aventura. Vivem divididas entre a vontade de partir (para o continente português, ou para a América) e o súbito desejo de ficar (nos Açores).
Apesar de escrito com alguma frouxidão narrativa, Os Novelos é mesmo assim, um livro interessante que e lê com sereno prazer.
Victor Rui Dores