Horta, 18 Maio 2012
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Viagem CDIJ’s a Bruxelas – Recomeçar é um direito

14 de Novembro de 2011

Adivinhava-se uma viagem tranquila, na qual as baixas temperaturas de Bruxelas previam ser o único senão destes dois dias no coração da velha Europa.

Tudo começou num dia com uma interessante conjugação de números (11/11/11) e uma visita ao Parlamentarium. Um espaço onde todas as perguntas sobre a história da União Europeia são respondidas em 23 línguas. Este “Parlamento” virtual, inaugurado há menos de um mês, encerra em si um mundo de descobertas fantásticas aliado à mais alta tecnologia.

 

Aqui começa outra viagem… o ponto de viragem entre a viagem tranquila e algo que ainda não sabia bem o que era. Eram olhos brilhantes, gestos de descoberta, expressões de admiração… eram jovens descobrindo outro Mundo, que também era o seu, e a sua identidade. Eram jovens irradiando sede de algo, a sede da partilha. O reconhecimento do outro eu, do ser igual, do ser que sofre, do ser que ri, que também se sente só e incompreendido!!! Jovens com problemas iguais que descobriam juntos um mundo diferente.

 

Parlamento Europeu. Paredes meias com o grande hemiciclo. Muitos flashs. Todos querem registar este momento. Bandeiras – vinte e sete – servem de cenário.

As expressões sérias e diferenciadas do início da manhã abandonaram de vez os rostos destes jovens que se libertaram, não só dos casacos, mas do peso da solidão individual. Eram sem dúvida, já naquela altura, um grupo coeso; eram eles próprios em união, uma nação!

Aqui, nesta sala no Centro da Europa, esta deixou definitivamente de ser uma viagem tranquila e passou a ser uma viagem que me inquietará pela vida fora!

A cada palavra, a cada frase, a cada olhar, a cada entendimento de palavras que não precisavam de ser ditas, o testemunho na primeira pessoa de uma história igual à Europa, uma força que nasce para combater ameaças externas, da necessidade de reconstrução e resolução de problemas comuns.

Cumpriu-se ali, um dos conceitos da Europa proferidos por Schuman – “Não nos limitaremos a aproximar os estados, queremos unir os Homens”… “ A Europa far-se-á por realizações concretas desenvolvendo antes de mais uma solidariedade de facto”.

 

Hélder, Ana Rita, Paulo, Rui, outro Paulo, Frederico, Diogo, Andreia, Renato e Daniela representaram (de modo digníssimo, porque aqui é-me permitido opinar) todos os jovens que a dada altura da sua vida passaram por experiências similares. Abandono precoce da actividade escolar, desvios comportamentais e cedências a substâncias ilícitas, sentimento de incompreensão familiar e social; são diversos os caminhos que conduziram estes jovens aos Centros de Desenvolvimento e Inclusão Juvenil (CDIJ’s) que à margem dos olhares recriminatórios da sociedade encontram um rumo que se pretende sólido e é construído diariamente. Todos eles abraçaram com êxito, cada um a seu ritmo, o caminho do voluntariado, contribuindo assim para uma rua, uma freguesia, uma cidade, uma ilha, uma região, um país, uma Europa melhores.

Esta realidade colocada a nu na primeira pessoa, exigiu a todos uma quantidade razoável de coragem… até os silêncios tinham voz. Gritavam bem alto, até. E para nós, os que não conheciam por dentro esta realidade, ruiu um muro… nasceu um mundo!

 

Em três palavras: Impróprio para cardíacos!

Em duas palavras: Sem palavras

Numa palavra – Obrigado!

 

Aos monitores e demais responsáveis das várias associações que participaram na viagem, deixo uma palavra de apreço e força, até talvez um pedido de desculpas por não estar a noticiar esta viagem do modo convencional: No âmbito do Ano Europeu do Voluntariado, e a convite da Eurodeputada Maria do Céu patrão Neves, quinze Centros de Desenvolvimento e Inclusão Juvenil visitaram o Parlamento Europeu e o Parlamentarium, tendo tido oportunidade de apresentar as suas instituições e os projectos de voluntariado desenvolvidos.

 ”Fico  satisfeita quando os princípios e os objectivos que estabeleci para as visitas ao Parlamento Europeu são alcançados, dos quais destaco a aproximação aos órgãos de decisão Europeus, como foi o caso da visita guiada e a ida ao Parlamentarium, bem como a troca de ideias e o debate tão frutífero que decorreram durante a visita. É sem dúvida uma mais-valia para todos nós”, referiu Patrão Neves sobre esta visita.

 

Mas ficaria muito por dizer se me obrigasse ao registo de uma noticia. Tanto quanto a minha alma tem a capacidade de sentir e de recordar.

 

Aos 15 projectos representados nesta viagem, um bem-haja:

Associação de Pais e Amigos Deficientes da ilha di Faial,  Mosaico, Novos Rumos, CIEV – Instituto de Apoio à Criança, Cáritas Ilha Terceira, Escolha Certa – Casa Bernardo Estrela, Trevo, Pedra Segura, Porto Seguro, Assoc. Escuteiros de Portugal, Assoc.Guias de Portugal, Quercus, Amigos dos Açores, Junta dos Amigos dos Açores – CNE, Projecto Renascer, Rotarac Faial.

 

 

 

Sissa Madruga



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