Horta, 10 Setembro 2010
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A montanha do Pico, é o ponto mais alto de Portugal e um dos maiores vulcões activos do Oceano Atlântico, com 2351metros de altitude.
A montanha do Pico, é o ponto mais alto de Portugal e o seu formato cónico é o marco mais evidente da origem vulcânica da ilha a que deu o nome.
A sua riqueza geológica, as particularidades da sua vegetação, adaptada às condições adversas da montanha, associadas à sua exuberância paisagística, de onde se pode desfrutar a imensidade dos oceanos e avistar as ilhas do grupo central, do Arquipélago dos Açores, fazem do Pico, um dos mais belos vulcões do Mundo, que frequentemente se cobre de neve no Inverno, e atractivo maior desta ilha negra de basalto, com o qual foi edificado os muros dos currais de vinha, actualmente Paisagem Protegida da Vinha do Pico e Património da UNESCO.
Com aproximadamente 300 000 anos, a Ilha do Pico, a mais jovem ilha do arquipélago, formada ao longo de inúmeras erupções vulcânicas que se estendem até à actualidade, representa um excelente exemplo de geodiversidade associada a vulcanismo do tipo basáltico s.l.. e as suas rochas do Pico incluem-se na série alcalina (basaltos alcalinos – basaltos transicionais – basaltos sub-alcalinos), sendo pobres em sílica (<50%) e potássio (<2%), e ricos em Na (>2%).
Nesta Paisagem incluem-se dois vulcões poligenéticos: o vulcão em escudo do Topo, que deu início à formação da Ilha e o Estratovulcão da Montanha do Pico, o ponto mais alto de Portugal e um dos maiores vulcões activos do Oceano Atlântico, com 2351m de altitude, que se ergue 3500m a partir do fundo do mar.
Para além da imponente beleza estética que condiciona toda a paisagem da ilha do Pico e das ilhas vizinhas, a Montanha encerra valores naturais muito relevantes, pelo que se encontra protegida há largos anos.
Em termos ecológicos, alberga as únicas comunidades alpinas do arquipélago, destacando-se assim pela sua unicidade em termos do contexto do património natural dos Açores.
Existem ainda notáveis exemplos de vulcanismo fissural, como a cordilheira central, a dorsal da ilha, formada por um alinhamento de cerca de 200 vulcões de orientação predominante WNW-ESSE.
Os “lajidos”, campos de lava bem preservados, resultantes de erupções de natureza basáltica pouco explosiva, com escoadas lávicas de superfície lisa do tipo pahoehoe, caracterizadas por um vasto conjunto de micro-relevos e estruturas de uma beleza extraordinária, tais como lavas encordoadas, pahoehoe toes, tumuli, cristas de pressão e tubos lávicos. Podem ainda observar-se escoadas lávicas do tipo aa, localmente designadas por “biscoito”, identificadas pela sua superfície áspera e cortante.
É na ilha do Pico que se pode encontrar o maior número de cavidades vulcânicas (tubos lávicos e algares vulcânicos) conhecidas nos Açores, num total de cerca de 150, de onde se inclui o maior tubo lávico de Portugal, a Gruta das Torres; Deltas lávicos ou “fajãs”, com particular destaque para a plataforma das Lajes do Pico; Cones vulcânicos submarinos, como os Ilhéus da Madalena, ou o Cabeço Debaixo da Rocha; Arribas fósseis, como a do Gasparal ou de Santo António; Crateras de explosão e Crateras Poço; Escarpas de falha e as 4 erupções históricas, localmente conhecidas como “Mistérios”, que ocorreram em 1562 (Mistério da Prainha), a mais longa erupção histórica dos Açores (cerca de 2 anos em actividade) onde se encontra actualmente a maior mancha de vegetação natural, incluindo uma série de formações naturais de elevado interesse conservacionista, destacando-se as maiores áreas de Floresta Húmida Laurifólia de média altitude, um habitat protegido pela Directiva Habitats e é um dos habitat preferenciais do Pombo torcaz (Collumba palumbus azorica); em1718 (Mistério de Santa Luzia e Mistério de São João) e em 1720 (Mistério da Silveira).
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Localizado a Noroeste da Ilha de S. Miguel, no concelho de Ponta Delgada, o complexo vulcânico das Sete Cidades, local de elevada importância geológica, ecológica, hidrológica, e paisagística.
Cenário natural de beleza única desde sempre envolto em misticismo, palco ideal para lendas que ao longo dos séculos enlevaram o imaginário colectivo, que se quedava perplexo perante tamanha grandeza natural e esplendor divino, as Sete Cidades são incontestavelmente uma das mais belas e emocionantes paisagens do Arquipélago dos Açores.
Localizado a Noroeste da Ilha de S. Miguel, no concelho de Ponta Delgada, o complexo vulcânico das Sete Cidades, local de elevada importância geológica, ecológica, hidrológica, e paisagística, é uma das imagens mais simbólicas das ilhas açorianas e um dos mais valiosos recursos turísticos da Região Autónoma dos Açores.
Corresponde a um aparelho poligenético traquítico, encimado por uma grande caldeira de colapso com cerca de 5Km de diâmetro e 450m de profundidade. No seu interior, existem alguns centros eruptivos intracaldeira entre os quais constam crateras de explosão hidromagmática, cone (ou anel) de tufos e de pedra pomes e domos traquíticos, bem como as lagoas Azul e Verde (4,5Km2 e 30m de profundidade), que fazem parte da mesma massa de água, conectadas por um estreito canal, mas que se comportam de forma distinta, e como o nome indica têm diferentes colorações.
Existem ainda as lagoas do Canário, Empadadas, Santiago e Rasa. No seu conjunto as lagoas possuem uma capacidade de armazenamento estimada em 56571×103 m3, que representa mais de metade da água lacustre dos Açores.
A lagoa Azul, de maiores dimensões é alimentada por um total de 70 cursos de água, enquanto que para a lagoa Verde escoam apenas 9 cursos de água.
Estas Lagoas assumem um grande significado na regulação hidrológica e representam um valioso património ambiental, científico e paisagístico, São frequentadas por aves migratórias e por aves nidificantes que aqui encontram condições favoráveis para a sua reprodução, destacando-se a Garça Real (Ardea cinerea), Regulus regulus, Serinus canarius, Sturnus vulgaris granti e Frigillla coelebs moreletti, sendo também comum a o Pombo Torcaz dos Açores (Calumba palumbus azorica), espécie prioritária da Directiva Aves.
Existem também núcleos de vegetação em bom estado de conservação, com presença de espécies com estatuto de protecção, ao abrigo da Directiva Habitats e convenção de Berna, como a Agrotis gracililaxa, Bellis azorica, Chaeropyllum azoricum, Culcita macrocarpa, Daboecia azorica, Erica azorica, Euphorbia stygiana, Juniperus brevifolia, Lactuca watsoniana, entre outras.
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A Lagoa do Fogo, é uma das paisagens mais impressionantes do Arquipélago dos Açores e considerada uma Reserva Natural. Situada no centro da ilha de S. Miguel a 575m de altitude, com uma profundidade máxima de 30m.
“São Miguel é a ilha das mais belas lagoas. A do Fogo jaz no fundo de uma cratera abatida entre os grandes bordos da serra, com uma península povoada de criptomérias entre margens pouco acessíveis, areais vindos por erosão dos montes envolventes e ravinas cobertas de flora endémica… Não há maior beleza do que a desta água aparentemente parada que a todo o momento muda de cor sob o peso do vento e das nuvens, à passagem das brumas que partem em demanda dos mistérios perdidos do mar. A água é azul, verde ou cor de chumbo, consoante a nuvem e a inclinação da luz solar que sobre ela incida.” João de Melo, in “Açores O Segredo das Ilhas”.
A Lagoa do Fogo, classificada desde 1974 como Reserva Natural, na sua grandiosidade e beleza dramática, com água de um azul que vai do escuro anil ao turquesa, contornada aqui e ali por praias de areia branca e rodeada por margens cobertas de vegetação que não consegue ocultar os efeitos das poderosas forças vulcânicas que lhe deram origem, é uma das paisagens mais impressionantes do Arquipélago dos Açores.
Situada no centro da ilha a 575m de altitude, com uma profundidade máxima de 30m, a Lagoa do Fogo, encontra-se rodeada por densa vegetação endémica e ocupa a enorme caldeira do vulcão do fogo, de forma elíptica e dimensões aproximadas de 3 x 2,5km, apresentando paredes com desníveis máximos de 300m.
Desaguam na lagoa do Fogo, cerca de 18 cursos de água e um total de 41 linhas água, com percursos, em geral, muito curtos, na ordem dos 150 a 300 m de extensão, com excepção da ribeira mais hierarquizada desta bacia de drenagem, localizada mais a norte da bacia, que por si só reúne cerca de 40% do total dos cursos de água existentes. Como a caldeira da Lagoa do Fogo é aberta do lado Sul, não se desenvolvem cursos de água representativos nesta zona da bacia de drenagem.
No interior da caldeira, ocorreu uma erupção de natureza traquítica no ano de 1563. Nos flancos deste vulcão existem diversos cones de escórias, domos traquíticos e crateras de explosão hidromagmática (maars) bem como uma cobertura espessa de depósitos piroclásticos pomíticos e, ainda, zonas com actividade hidrotermal.
Na vertente Norte do vulcão, ocorrem manifestações de vulcanismo secundário, como nascentes de águas minerais, águas quentes férreas, fumarolas e um campo geotérmico, utilizado para a produção de energia eléctrica.
Em relação aos habitats, assinala-se nesta área a existência de 10 tipologias constantes na Directiva Habitats, Charnecas macaronésicas endémicas; Águas oligo-mesotróficas; Charcos temporários mediterrânicos; Cursos de água alpinos e sua vegetação rípicola; Charnecas macaronésicos endémicos; Formações de Euforbiáceas; Prados mesofiticos maraconésicos; Turfeiras altas degradadas ainda susceptíveis de regeneração natural; Turfeiras de coberturas; Laurissilva dos Açores.
Dentro do perímetro da Reserva Natural, destacam-se algumas espécies de plantas endémicas dos Açores como o Cedro-do-mato (Juniperus brevifolia), o Louro (Laurus azorica), o Sanguinho (Frangula azorica), o Trovisco-Macho (Euphorbia stygiana) e a Urze (Erica azorica).
Nesta área, podem-se observar aves marinhas como a Gaivota (Larus cachinnans atlantis), e o Garajau Comum (Sterna hirundo) e aves terrestres como o Milhafre (Buteo buteo rothschildi), o Melro-Preto (Turdus merula azorensis) ou o Pombo-torcaz-dos-Açores (Columba palumbus azorica). De destacar ainda a presença do único mamífero endémico dos Açores, o morcego (Nyctalus azoreum).
Para além de estar inserida na Rede Regional de Áreas Protegidas, esta área encontra-se classificada como Sítio de Importância Comunitária da Rede Natura 2000 e área RAMSAR.
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O Algar do Carvão, é outra das 5 Maravilhas dos Açores na corrida ao titulo de uma das “ 7 Maravilhas Naturais de Portugal”.
Localizado na zona central da ilha Terceira, na Caldeira de Guilherme Moniz, com os seus 15 km de perímetro, é a maior caldeira do Arquipélago dos Açores.
O interior da ilha Terceira é uma das paisagens mais diferentes de todos os interiores das ilhas açorianas, igualmente agreste no seu relevo, com os seus vales e serranias formadas pelas convulsões vulcânicas do passado, mas onde não faltam as grandes extensões de pastagens.
Localizado, na zona central da ilha, na Caldeira de Guilherme Moniz que, com os seus 15 km de perímetro, é a maior caldeira do Arquipélago dos Açores, o Algar do Carvão, a uma altitude aproximada de 550m, é uma das cavidades vulcânicas mais peculiares de todo o mundo.
Corresponde a uma chaminé vulcânica com cerca de 100 m de profundidade, inserida em formações traquíticas, que exibe no seu interior estalactites e estalagmites siliciosas, veios férricos, obsidianas e uma lagoa de águas límpidas no fundo do algar.
A boca do algar apresenta dimensões de 17 x 27 m e dá passagem a uma conduta de forma peculiar, que termina numa lagoa de águas límpidas, alimentada por águas das chuvas, que atinge uma profundidade máxima da ordem dos 15 m e seca quase completamente no Verão.
Os complexos fenómenos geológicos e bioquímicos ocorridos no sistema hidrogeológico que caracteriza o Algar do Carvão, levaram, ao longo dos anos, à formação de estalactites e estalagmites de sílica amorfa, que revestem uma parte importante do tecto e das paredes do algar, atingindo cerca de 1 metro de comprimento e 40 a 50 cm de diâmetro (consideradas por diversos especialistas como as maiores do mundo) e serão porventura as estruturas mais exuberantes, raras e belas existentes nas cavidades vulcânicas dos Açores.
Além da diversidade da flora existente, estão presentes no algar muitas espécies de animais invertebrados, com realce para uma espécie de aranha cavernícola que apenas ocorre nesta cavidade (Turinyphia cavernicola).
Existem ainda diversas espécies de fauna troglóbia.
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Nesta lista de 21 Maravilhas finalistas estão presentes 5 finalista dos Açores.
Desta forma, a New 7 Wonders Portugal® assegura a representatividade geográfica do país. A votação termina a 7 de Setembro de 2010 e as “7 Maravilhas Naturais de Portugal®” serão conhecidas a 11 de Setembro, em S. Miguel nos Açores.
Faremos um especial das 5 maravilhas açorianas finalistas na eleição das “7 Maravilhas Naturais de Portugal”, dando destaque hoje á Furna do Enxofre.
A Furna do Enxofre localiza-se na Ilha Graciosa e é um fenómeno geológico de origem vulcânica única. A caldeira é uma depressão circular com 1600metros de diâmetro e 350metros de profundidade.No interior da caldeira, de vertentes abruptas e escarpadas, alongada segundo uma direcção geral NW-SE, existem dois centros eruptivos e uma imponente estrutura subterrânea: a Furna do Enxofre fenómeno geológico de origem vulcânica única.
A caldeira é uma depressão circular com 1600metros de diâmetro e 350metros de profundidade, no local onde antes se situou o topo do vulcão que fez despontar a Ilha. Na Caldeira, abre-se um túnel com cerca de 100metros de profundidade, no fundo uma enorme gruta, com a abóbada de 80metros de altura máxima, revestida de estalactites, com um lago subterrâneo, de agua fria e sulfurosa, com cerca de 130metros de diâmetro e 15metros de profundidade máxima. Neste lago encontra se uma embarcação que foi utilizada antigamente para o atravessar.
Albergando no seu interior um importante campo de desgasificação, constituído por uma fumarola com lama e por emanações gasosas difusa de dióxido de carbono, que se libertam imperceptivelmente em diversas áreas do chão da gruta, conferindo a designação ” Furna do Enxofre”.
O acesso ao interior desta gruta faz se por uma torre com cerca de cantaria e alvenaria com 37metros de altura que contem uma escada em caracol que se prolonga por 183 degraus. Este acesso foi construído no inicio do século XX.
A exploração desta gruta teve inicio no XIX, por vários investigadores. Um dos pioneiros na descida desta furna foi o príncipe Alberto de Mónaco, o qual em 1879 se fez valer de uma escada de corda para descer ao interior desta furna singular.
A furna encontra-se equipada com uma rede de sensores e sistemas de alarme que monitorizam as emanações de dióxido de carbono. Recomenda-se a visita entre as 11 e as 14 horas, altura em que o sol penetra no interior da furna e lhe dá aspectos deslumbrantes.
Após a visita à Furna deve percorrer-se a caldeira e o círculo da cratera, locais de um a paisagem impar, podendo-se avistar as Ilhas Terceira, S. Jorge, Pico e Faial.
A Caldeira é classificada pelo Decreto Legislativo Regional de 24/2004/A (Governo Regional dos Açores) como Monumento natural regional, sendo considerada uma estrutura geológica de elevado interesse, onde as necessidades de protecção, preservação e de partilha dos valores biológicos, estéticos, científicos e culturais mais se fazem sentir; tornando necessária a sua protecção.
Um dos meios para votar nesta Maravilha é através de chamada760302708 sms 708.
Para a New 7 Wonders Portugal® o nosso Património é o nosso Futuro e por isso inspira e sensibiliza a população em geral para a necessidade de preservar o legado que deixamos às futuras gerações, através de projectos baseados na votação popular.
Segundo Bernard Weber, fundador da New 7 Wonders Foundation® e criador deste movimento mundial, “se queremos salvar alguma coisa, primeiro precisamos de saber apreciá-la realmente”. O que nos é dado pela natureza e se perde é irrecuperável, devendo por isso ser ainda mais valorizado e estimado.
A eleição das “7 Maravilhas Naturais de Portugal®” surge em antecipação à campanha mundial, para eleger as “Novas 7 Maravilhas da Natureza®” em 2011. É um projecto pioneiro, que coloca os olhos do mundo nas imensas belezas naturais de Portugal.
A eleição das “7 Maravilhas Naturais de Portugal®” pretende sensibilizar os portugueses para a necessidade de preservar o património natural do nosso país.
Porque 2010 é o Ano Internacional da Biodiversidade, este projecto vem reforçar um movimento ambientalista que cresce a nível global e pretende ser uma referência no contributo para a sustentabilidade ambiental no nosso país.
Serão consideradas “Maravilhas Naturais de Portugal”, os monumentos naturais em território nacional que contenham um ou mais aspectos de raridade ou representatividade em termos ecológicos, estéticos, científicos e culturais.
Os nomeados são organizados nas seguintes 7 categorias, que representam a diversidade paisagística de Portugal:
1. Zonas Marinhas
2. Grutas e Cavernas
3. Praias e Falésias
4. Florestas e Matas
5. Grandes Relevos
6. Zonas Protegidas
7. Zonas Aquáticas não Marinhas
A New 7 Wonders Portugal® desenvolveu um levantamento exaustivo dos locais naturais a considerar para o processo de votação, lista que foi conhecida no início de 2010.
Para chegar a uma short list de 77 locais naturais pré-finalistas foi criado um painel de 77 especialistas, representantes das várias áreas científicas e com representatividade geográfica nacional, convidados pela New 7 Wonders Portugal. Posteriormente um painel de 21 personalidades notáveis do nosso país escolheu as 21 Maravilhas finalistas, as quais foram apresentadas para votação pública a 7 de Março de 2010.
Nesta lista de 21 Maravilhas finalistas está presente, no mínimo, um finalista de cada uma das sete regiões do país: Norte, Centro, Lisboa e Vale do Tejo, Alentejo, Algarve, Açores e Madeira.
Desta forma, a New 7 Wonders Portugal® assegura a representatividade geográfica do país.
A votação, auditada pela PricewaterhouseCoopers, termina a 7 de Setembro de 2010 e as “7 Maravilhas Naturais de Portugal®” serão conhecidas a 11 de Setembro, em S. Miguel nos Açores.
As vencedoras serão apuradas pelo maior número de votos em cada categoria e não serão eleitas mais do que duas Maravilhas por região.
Durante os próximos dias, publicaremos um especial das 5 maravilhas açorianas finalistas na eleição das “7 Maravilhas Naturais de Portugal”.
Cavaco Silva pediu aos portugueses para irem para fora cá dentro. Mas a crise parece de férias.
Os operadores turísticos não se queixam - o Algarve está cheio, os voos para o estrangeiro também.
Casaco negro, gravata cinzenta. O semblante tão carregado quanto as palavras: “Aqueles que podem fazer férias, devem fazê-lo cá dentro”. O descanso dos portugueses entrava assim no discurso do Presidente da República. A agenda de Cavaco Silva assinalava 5 de Junho: garantir solenidade à inauguração do Pavilhão dos Desportos de Albufeira, pôr o País a discutir como as férias podem aliviar a crise. Nesse mesmo dia, já o sol tombava sobre as colinas de Lisboa, quando Alexandra Piedade regressou a casa. As notícias desfilavam no televisor, ela atirava fadigas para o sofá. Não recorda a banda de música, tão-pouco o primeiro instante da obra feita. Ficaram-lhe, isso sim, as palavras do presidente. Soma 41 anos, há muito sabe que crise e férias são assunto sério.
Viajar é verbo com entrada certa nos planos de Alexandra. Já o conjugou vezes sem conta - Índia, Marrocos e Cuba enchem o álbum dos sonhos cumpridos, mas a geografia nunca se esgota: “Há muito mundo para conhecer”. Filha da Marinha Grande, atravessou a infância agarrada às férias dos pais, o carro sempre às voltas em Portugal: “Hoje, as pessoas viajam muito mais”. Guarda o sorriso de menina, duas licenciaturas: uma em Economia, outra em Psicologia. Aventura-se no mestrado e trabalha na Fundação Calouste Gulbenkian - pouco minuto lhe sobra. Agora, férias a dourarem o horizonte, recorda os argumentos do presidente. Naquele dia, na televisão, os antigos modos de professor de economia: “Neste tempo difícil que atravessamos, os portugueses devem fazer turismo no seu próprio país, pois é uma ajuda preciosa…”. O rosto cerrado: “As férias passadas no estrangeiro representam importações e aumentam a dívida externa portuguesa”. O tom patriótico até mexeu com a psicóloga, mas nada interferiu nas suas ideias: “Antes do apelo, e por outros motivos, já decidira ficar em Portugal.” Não é a única, todas as agências de viagem contactadas pelo “Diário Económico” afirmam não ter sentido a intervenção do presidente.
Alexandra conta os dias que faltam para se fazer à estrada. A mala cheia de leituras e descansos planeados. Faz parte dos portugueses que partem de férias nos meses de Verão. Este ano, pensou abandonar a cidade mais povoada do que o habitual. Atenta às notícias, dera conta de cenários sobre o ócio nacional. Em parceria com o Wall Street Journal, a GFK realizou um estudo sobre as férias em 19 países. Em Portugal, estimava que 66% das pessoas não sairia de casa e dos que iriam a banhos 69% ficava no País. A conclusão deixa Tiago Rodrigues, director de marketing e tecnologia do operador turístico Soltrópico, de sobrolho franzido: “A classificação do consumidor português surpreendeu-me. A crise não se tem reflectido nas férias. Em 2009, os resultados foram muito bons e, em 2010, a perspectiva é sensivelmente igual, o que não aconteceria se as pessoas ficassem em casa.” O ano passado, a empresa facturou cerca de 24 milhões de euros e transportou mais de 37 mil passageiros, sendo Cabo Verde o destino de eleição: “Se aumentasse tanto a procura de programas nacionais, sentia-se uma quebra nos voos.” Com voz segura, arruma o assunto: “Há é uma diminuição do montante gasto. As pessoas procuram destinos mais económicos e as viagens estão mais baratas. É difícil analisar os estudos sobre turismo, há uma grande disparidade nos dados.”
Hugo Madeira, 32 anos feitos e aliança a brilhar no dedo, faz parte dos 47,2% de portugueses que, a fazer fé no estudo elaborado pela Marktest para o portal de reservas Hotels.com, não deixa a palavra crise tomar assento na viagem de descanso. Criado com a intenção de apurar se a crise afectava as escolhas em tempo de férias, o inquérito assegura que 34% dos inquiridos mantém a ideia de ir para fora. Espanha lidera os destinos favoritos. Hugo nada se espanta, anda a sonhar com a hora de trocar o fato pelos calções de banho.
Assume as funções de responsável de controlo de gestão numa empresa farmacêutica, salário não é assunto que o apoquente. Começou a trabalhar ainda não largara os bancos da faculdade, 1.500 euros de ordenado. Daí para diante, à medida das conquistas, somou destinos: “Mato-me a trabalhar e, ao invés de guardar o dinheiro debaixo do colchão, viajo”. A reluzir na memória, as andanças no México, as aventuras no Brasil, a sedução de Nova Iorque. Para trás, ficam os tempos de miúdo - ora a farda de escuteiro ora as férias com os pais no parque de campismo da Costa da Caparica: “Não havia possibilidades para mais, por isso, agora aproveito”.
Está sentado numa esplanada da capital, a camisa branca, os óculos Ray-Ban junto ao peito. O apelo do presidente nada mandou na sua escolha: “Percebo a lógica, mas não concordo. Se todos os países fizessem o mesmo, sairíamos a perder.” Acalenta o sonho de conhecer Cuba e era lá que estaria, não fosse a filha pequena: “Enquanto é bebé, preferimos não fazer viagens de avião longas. Só por isso fico em Portugal”. Ainda há pouco regressou dos Açores, agora vai passar uma semana no Algarve e outra no Sul de Espanha. Habituado às lides das finanças, faz contas a cada cêntimo: “Vou gastar o mesmo do que se fosse para longe… o problema é a criança. No Algarve, pago 1.300 euros por semana para quatro pessoas. Espanha é mais competitivo, um resort de cinco estrelas com tudo incluído custa 1500. Se pudesse ir para as Caraíbas, não saia muito mais caro”. O director de marketing da operadora Soltrópico joga com as mesmas parcelas: “Mesmo com o serviço adicional do voo, o Algarve pode ficar no mesmo valor do que Cabo Verde ou Tunísia”.
Ao contrário de quem prova os amargos do desemprego ou dos salários baixos, Hugo descobre possibilidades na crise: “Para quem tem um emprego razoável, é uma oportunidade. O empréstimo da casa baixou significativamente, os bens de primeira necessidade também. Há mais promoções de viagens, de roupa de marca… É mais fácil encontrar vagas nos infantários e os bancos eliminaram-me os custos das transacções. Por isso, este ano até há mais dinheiro para férias”. A agência de viagens Top Atlântico também não reclama. A romaria de Agosto pouco mudou: “A maior diferença prende-se com o aumento das reservas em cima da hora. As pessoas decidem ir de férias no momento”.
Alexandra Piedade não alinha na vertigem do último instante. Há muito decidiu passar os dias de Agosto entre a Costa Alentejana e o Barlavento Algarvio. Pertence à multidão que tenta escapar às multidões. Antes arrendar uma casa do que um quarto de hotel; perder três horas de carro e não uma eternidade num avião: “Cheguei à conclusão que para fazer praia não vale a pena ir para fora. Já estive no Sul de Espanha, no Sul de França, na Croácia… Em Portugal, a oferta é melhor”. Ainda assim, se tivesse dinheiro de sobra e a certeza do emprego jamais lhe escapar por entre os dedos, rumaria ao Mediterrâneo, pé-de-meia gasto a fazer vela. Mas sabe que ninguém nasce com salvo-conduto, os tempos aconselham cautelas.
Em Setembro, a crise pode regressar de férias.
Ana maria Fonseca / in Económico
Oleksandr Prokopenko, natural da Ucrânia, traz pela primeira vez ao Faial “Ilhas encantadas”, uma exposição de pintura a óleo, que retrata de forma inequívoca como este artista plástico se sente em relação às nossas paisagens.
Esta exposição, foi apresentada em Junho ultimo na Casa dos Açores do Norte, tendo Prokopenko tido a melhor das críticas.
Em conversa com o artista ficámos a conhecer melhor a sua obra. Oleksandr cria descomprometidamente conforme o que lhe vai na alma não escolhendo género nem técnicas específicas. Pinta incansavelmente e faz várias exposições. Nas suas obras a influência do realismo é notória, assim como outros estilos, pois segundo ele as suas pinturas não têm fronteiras, uma vez que alia o antigo ao contemporâneo.
No entanto, as ilhas tocaram-lhe de forma diferente, aqui sentiu a energia pura de um lugar “aberto”, verde, livre do cinzento do cimento que abunda na maioria dos lugares que conhece.
Confessa-se apaixonado pelo Faial e pelo Pico, as duas ilhas do Arquipélago que conhece, e esse sentimento está presente na sua obra, que exprime um mundo mágico de texturas, formas e cores.
“Ilhas Encantadas” estará patente na Quinta da Abegoaria, na freguesia de Pedro Miguel, até ao final de Setembro, de segunda a sábado, das 15h ás 18h.
Sissa Madruga / Foto - João Rosa (MultiFace)
Menos 500 milhões de euros em despesas sociais em 2011, menos 800 milhões em 2012 e menos 1000 milhões em 2013. Ao todo dá um corte superior a 2,3 mil milhões de euros. O governo, que obteve o acordo do PSD para as medidas, avançou esta semana com regras mais apertadas no acesso aos apoios sociais. A aplicação da nova lei vai permitir duplicar a redução daquele tipo de prestações - que beneficiam sobretudo pessoas com salários ou rendimentos monetários muito baixos - entre o próximo ano e 2013.
O secretário de Estado da Segurança Social, Pedro Marques, confirmou na passada semana que a maior parte das prestações sociais em causa - rendimento social de inserção (RSI), acção social escolar, subsídio social de parentalidade, subsídio social de desemprego, apoios à habitação, comparticipações de medicamentos e taxas moderadoras - deverão sofrer, com o novo regime, um corte anual de 200 milhões de euros só com a aplicação da nova regra da condição de recursos. Essa redução será ainda maior tendo em conta outras medidas que serão introduzidas cumulativamente: novos tectos financeiros para as transferências orçamentais para o pagamento das prestações não contributivas, por exemplo. Umas das mais importantes, a do RSI, medida que abrange quase 390 mil pessoas, também será minguada de forma significativa até 2013, diz o Programa de Estabilidade e Crescimento (PEC) enviado para Bruxelas em Março.
O que muda? Até agora, a atribuição de apoios aos mais pobres apenas considerava o nível de rendimento salarial dos beneficiários. A partir de agora, a noção de rendimento alarga-se substancialmente. O conceito de agregado familiar também. Além do salário passam a ser englobados os rendimentos de capital (juros de depósitos a prazo e de outras poupanças, remuneração de acções), rendimentos prediais, pensões, bolsas, etc.
O governo continua sem confirmar quantas pessoas serão atingidas com estas alterações, mas as estatísticas da Segurança Social apontam para um universo de 2 milhões de indivíduos que actualmente recebem apoios sociais não contributivos. Pedro Marques explica que, com a nova base de cálculo, se garante “que estes apoios se destinam apenas a quem necessita”. “Não pomos em causa a existência de nenhuma prestação”, insiste.
Porém, segundo informações recolhidas pelo i, uma vez que Bruxelas pede medidas adicionais no valor de 2,5 mil milhões além dos cortes já anunciados, é natural que possa haver mais restrições na área social, ampliando os cortes previstos. Em nome da redução do défice público (de 9% para menos de 3% em 2013), o governo tem em curso um plano de austeridade que reduz substancialmente o valor de outros apoios sociais, como o subsídio de desemprego e as reformas, para citar só os mais importantes. Além disto, avançou com um aumento generalizado de impostos (IVA, IRS e IRC).
(i)