Horta, 18 Maio 2012
Publicação Periódica Online
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Adivinhava-se uma viagem tranquila, na qual as baixas temperaturas de Bruxelas previam ser o único senão destes dois dias no coração da velha Europa.
Tudo começou num dia com uma interessante conjugação de números (11/11/11) e uma visita ao Parlamentarium. Um espaço onde todas as perguntas sobre a história da União Europeia são respondidas em 23 línguas. Este “Parlamento” virtual, inaugurado há menos de um mês, encerra em si um mundo de descobertas fantásticas aliado à mais alta tecnologia.
Aqui começa outra viagem… o ponto de viragem entre a viagem tranquila e algo que ainda não sabia bem o que era. Eram olhos brilhantes, gestos de descoberta, expressões de admiração… eram jovens descobrindo outro Mundo, que também era o seu, e a sua identidade. Eram jovens irradiando sede de algo, a sede da partilha. O reconhecimento do outro eu, do ser igual, do ser que sofre, do ser que ri, que também se sente só e incompreendido!!! Jovens com problemas iguais que descobriam juntos um mundo diferente.
Parlamento Europeu. Paredes meias com o grande hemiciclo. Muitos flashs. Todos querem registar este momento. Bandeiras – vinte e sete – servem de cenário.
As expressões sérias e diferenciadas do início da manhã abandonaram de vez os rostos destes jovens que se libertaram, não só dos casacos, mas do peso da solidão individual. Eram sem dúvida, já naquela altura, um grupo coeso; eram eles próprios em união, uma nação!
Aqui, nesta sala no Centro da Europa, esta deixou definitivamente de ser uma viagem tranquila e passou a ser uma viagem que me inquietará pela vida fora!
A cada palavra, a cada frase, a cada olhar, a cada entendimento de palavras que não precisavam de ser ditas, o testemunho na primeira pessoa de uma história igual à Europa, uma força que nasce para combater ameaças externas, da necessidade de reconstrução e resolução de problemas comuns.
Cumpriu-se ali, um dos conceitos da Europa proferidos por Schuman – “Não nos limitaremos a aproximar os estados, queremos unir os Homens”… “ A Europa far-se-á por realizações concretas desenvolvendo antes de mais uma solidariedade de facto”.
Hélder, Ana Rita, Paulo, Rui, outro Paulo, Frederico, Diogo, Andreia, Renato e Daniela representaram (de modo digníssimo, porque aqui é-me permitido opinar) todos os jovens que a dada altura da sua vida passaram por experiências similares. Abandono precoce da actividade escolar, desvios comportamentais e cedências a substâncias ilícitas, sentimento de incompreensão familiar e social; são diversos os caminhos que conduziram estes jovens aos Centros de Desenvolvimento e Inclusão Juvenil (CDIJ’s) que à margem dos olhares recriminatórios da sociedade encontram um rumo que se pretende sólido e é construído diariamente. Todos eles abraçaram com êxito, cada um a seu ritmo, o caminho do voluntariado, contribuindo assim para uma rua, uma freguesia, uma cidade, uma ilha, uma região, um país, uma Europa melhores.
Esta realidade colocada a nu na primeira pessoa, exigiu a todos uma quantidade razoável de coragem… até os silêncios tinham voz. Gritavam bem alto, até. E para nós, os que não conheciam por dentro esta realidade, ruiu um muro… nasceu um mundo!
Em três palavras: Impróprio para cardíacos!
Em duas palavras: Sem palavras
Numa palavra – Obrigado!
Aos monitores e demais responsáveis das várias associações que participaram na viagem, deixo uma palavra de apreço e força, até talvez um pedido de desculpas por não estar a noticiar esta viagem do modo convencional: No âmbito do Ano Europeu do Voluntariado, e a convite da Eurodeputada Maria do Céu patrão Neves, quinze Centros de Desenvolvimento e Inclusão Juvenil visitaram o Parlamento Europeu e o Parlamentarium, tendo tido oportunidade de apresentar as suas instituições e os projectos de voluntariado desenvolvidos.
”Fico satisfeita quando os princípios e os objectivos que estabeleci para as visitas ao Parlamento Europeu são alcançados, dos quais destaco a aproximação aos órgãos de decisão Europeus, como foi o caso da visita guiada e a ida ao Parlamentarium, bem como a troca de ideias e o debate tão frutífero que decorreram durante a visita. É sem dúvida uma mais-valia para todos nós”, referiu Patrão Neves sobre esta visita.
Mas ficaria muito por dizer se me obrigasse ao registo de uma noticia. Tanto quanto a minha alma tem a capacidade de sentir e de recordar.
Aos 15 projectos representados nesta viagem, um bem-haja:
Associação de Pais e Amigos Deficientes da ilha di Faial, Mosaico, Novos Rumos, CIEV – Instituto de Apoio à Criança, Cáritas Ilha Terceira, Escolha Certa – Casa Bernardo Estrela, Trevo, Pedra Segura, Porto Seguro, Assoc. Escuteiros de Portugal, Assoc.Guias de Portugal, Quercus, Amigos dos Açores, Junta dos Amigos dos Açores – CNE, Projecto Renascer, Rotarac Faial.
Sissa Madruga
As noites da semana do mar não são só concertos e tascas… são acima de tudo animação e uma festa gigante de convívio, reencontros e descobertas.
Prova disso, foi a marcha improvisada por dezenas de pessoas que ao som da marcha da Semana do Mar se formaram num magnífico arco e o resultado pode ver-se na imagem… Palavras para quê???!!!
Para o ano há mais !
No meio político, José Saramago recebeu a crítica mais violenta até ao momento pela voz do eurodeputado Mário David, que falando em nome pessoal e assumindo-se católico não-praticante, disse ter «vergonha» de ser compatriota do escritor.
José Saramago afirmou, a propósito do seu último livro, «Caim», que a bíblia «é um manual de maus costumes e um catálogo de crueldades».
O eurodeputado Mário David não gostou do que ouviu, sente-se insultado, e por isso escreveu no blog da Internet, tendo-o repetido depois à TSF, que Saramago devia renunciar à nacionalidade portuguesa.
«Apenas utilizei no meu site pessoal uma atitude que o senhor José Saramago ameaçou há uns anos que ia tomar e portanto se estaria nessa disposição, talvez não fosse mau ele saber que há uma série de compatriotas nossos que não se reveêm nas posições extremistas dele e portanto se é esse o sentimento dele que concretize essa mesma ameaça», afirmou Mário David.
Fonte – TSF
Costumo dizer que uma frase solta descontextualizada pode transformar uma noticia banal em algo bombástico.
Foi assim que captei a meio a noticia que inicia este escrito…as palavras “deveria renunciar á nacionalidade portuguesa” eriçaram-me os pelos e pensei para comigo quem seria o “juiz”que proferia tamanho disparate.
Corri a internet á procura do contexto, e ei-lo acima publicado – contextualizado, para quem duvidar das minhas palavras…
Já não é Portugal um pais livre ???
Porque raio tem um autor de ser julgado, ou levado a justificar o seu escrito, apenas porque o conteúdo incomoda AB ou C ???
Que eu saiba, este livro não tem pernas, não entrará a correr pelas nossas casas adentro, a não ser que seja levado por alguém. Ou seja, só o lê quem quer!
Eu não o li… (ainda) ! E talvez não o venha a ler, mesmo porque o tema não me interessa sobremaneira, também nunca li a Bíblia – mea culpa, mas não podia deixar de expressar publicamente o meu desagrado apenas e tão só, pela liberdade de escrita, estar a ser tão contestada…
Mas li hoje algures, a titulo de piada, que o próximo livro do autor em causa, poderia intitular-se “A vida segundo Saramago”, e devo confessar que esse seria sim um best seller, porque “ Cain” é apenas ficção, um romance com muita imaginação sem freio nem censura. Agrade ou não… é literatura!
Claro que o sr. Eurodeputado tem todo o direito de exibir a sua opinião, mas sugerir que se repugne um cidadão, apenas porque não concorda com o que ele escreve parece-me um tanto inquisitório, um notório ataque á liberdade de expressão.
A respeito, cito Lidia Bulcão, no seu Blog “A Ilha dentro de mim” – «A organização Repórteres sem Fronteiras relegou Portugal para o 30º lugar do ranking dos países que mais respeitam a liberdade de imprensa. No ano passado, Portugal ocupava o 16º lugar, a par de outros países europeus. Esta é sempre uma má notícia para os profissionais da comunicação, para os cidadãos e, sobretudo, para o estado da democracia. A medida da liberdade de imprensa é, também, uma forma de avaliação da democracia. Não há democracia sem liberdade de expressão e liberdade de imprensa.»
A propósito…nunca entendi bem o que é essa coisa, que afinal parece não ser de - Católico não praticante ?????
Não por ser meu avô, mas porque foi um homem digno de ser recordado para sempre, Manuel Madruga – hoje, dia em que faria 100 anos…um eterno obrigado pelos valores morais que me deixou !!! Pelo “berço” em que me formou !!!
Os caracteres disponíveis para fazer este tributo seriam poucos para descrever a pessoa que foi o pilar de toda uma família, que não deixou que as suas humildes origens o impedissem de se tornar um nome digno de toponímia.
Cedo ficou órfão de pai, pelo que teve que abandonar o ensino forçado á prematura aprendizagem profissional. Vindo mais tarde a integrar os quadros da Junta Geral do Distrito ainda antes da Autonomia dos Açores.
“Competente e dedicado” , é assim recordado pelos colegas da altura, que carinhosamente o tratam por Mestre Madruga.
E foi com esse nome que ficou conhecido numa sociedade que serviu.
Na associação dos Bombeiros Faialenses , ingressou aos 20 anos, tendo-se afastado, a seu pedido, após 48 anos (1977), passando para o quadro honorário da instituição, de onde foi 2º e 1º Comandante e ainda Comandante Honorário.
Durante esse período, o Avô foi distinguido com louvores e condecorações, que atestam a profunda dedicação e zelo com que se entregou a esta causa humanitária.
Relembro algumas que guardava, mas que nunca engrandeceu, dizia – “por estar apenas a cumprir o seu dever”: em 1931 recebeu uma carta do Presidente da República da Alemanha pelos serviços de salvamento prestados ao navio daquele país “Rio Bravo” que havia aportado na Horta com fogo a bordo.
Pelo meio dos seus pertences existem algumas medalhas de ouro. Em 1956 recebeu a medalha de ouro por assiduidade e mais tarde em 1968 foi novamente condecorado com a “medalha de ouro – uma estrela” pela liga dos Bombeiros Portugueses, em 1983 outra medalha de ouro por “ bom e efectivo serviço”, estas e mais umas quantas.
Com apenas 16 anos, iniciou uma apaixonante actividade na Filarmónica Artista Faialense, onde fez parte dos corpos directivos, ocupando por várias vezes a posição de regente….posição que ocupava na altura dos 125 anos desta associação.
Recordo-me como se fosse hoje … qual comandante numa frente de batalha…com ou sem batuta… nunca altivo… sempre nobre !!!
No meio de tudo isto ainda encontrou tempo para ser Director da extinta Caixa Económica da Misericórdia.
Hoje percebo porque chegava sempre tarde a casa…e eu lamentava a falta dele quando a avó nos servia o jantar.
Como eram grandiosos os fins-de-semana, andava atarefado na horta comigo literalmente debaixo dos pés a inundá-lo de perguntas …naquela altura tudo tinha um cheiro diferente…uma textura diferente.
Relembro-o e revivo-o com a maior das saudades, personagem exímia, com grandes valores sociais e morais . Ensinou-me que não é preciso nascer-se rico, para ter-mos “berço”.
Ensinou-me e incutiu-me a sua maior máxima…neste mundo de coisas vãs, só nos pertencem duas coisas, um NOME de que nos devemos orgulhar e a nossa PALAVRA que nunca devemos desonrar.
A ti avô…a quem devo muito do que sou hoje – sem duvida o melhor de mim, deixo estas palavras que nunca em tempo algum poderão expressar o Homem que foste….
Esta é uma homenagem partilhada por todos aqueles que privaram contigo, e que na impossibilidade de o fazer de outro modo, estão hoje contigo no pensamento, desejando que aqui estivesses para soprarmos juntos as velas dos teus 100 anos.
Parabéns AVÔ !
PS- Partiu aos 90 anos (1999), quando ainda tinha muito para dar - Homens como ele são fontes infindáveis de sabedoria.
Na minha mensagem de Natal este ano desejei aqueles que me são queridos - um Natal Quentinho!
Pobreza de espírito podem pensar muitos de vós… mas esta simples palavra – quentinho, está carregada daquilo que menos há por ai no Natal…
Os afectos, o mimo, o gesto que ajuda , o conforto, o sorriso…. enfim tudo aquilo que nos dá alento, nos aquece a alma e nos faz sentir que não estamos sozinhos nesta luta.
Lamento profundamente a falta de calor humano que esta época transpira. A crise não parece ter sido ainda o mote para se dar mais atenção ao que realmente interessa.
Continua o rodopio nas lojas, o consumismo desenfreado, o cinismo e a discórdia em volta de muitas mesas de consoada.
“Parem o mundo……….que eu quero descer!!!! ”
Não quero fazer parte desta insanidade, em que a nossa vida é um crédito ! Parece que vendemos a alma ao diabo e ja estamos a usar o plafon.
Quantos de nós se atreve neste época a cebebrar efectivamente o Natal ??? A ajudar o próximo, a alimentar alguem que passe fome, a vestir um pobre !!!! A oferecer um abraço como prenda.
Sim, quero desejar-vos a todos um Natal quentinho… de ajuda, solidariedade…calor humano!
Talvez seja uma utopia, mas o sonho ainda é livre e o Natal pode ser grandioso apenas por um gesto.
Foi-me dado a entender, por um grupo de leitores habituais do nosso jornal, que a crónica do Sr. Eduardo Sobral –Ecos do Continente, está a gerar alguma consternação e polémica .
Passo a esclarecer, que não posso impor a um colaborador o tema da sua escrita, nem privar-lhe da liberdade de expressão, ainda mais quando essa prestação é gratuita e dada de boa vontade.
E usando o tema não para me justificar, mas sim como ponto de partida, pego numa frase redigida pelo próprio e desafio-vos a …” receber uma critica construtiva e usá-la para melhorar” – qualquer uma critica, não esta em particular!
Não estou com isto a dizer que concordo com o que foi escrito pelo Sr. Sobral, mesmo porque me propus a ser totalmente imparcial quando me lancei neste projecto, mas todos nós sabemos que há muito a fazer.
Pois se a polémica leva ao debate e o debate leva-nos á mudança ..espero que as vozes que com isto se levantam não sejam apenas ecos de mudança…..
Eu como muitos vocês, vivo nesta terra por opção, porque este cenário de tranquilidade oceânica me transmite segurança, porque sei que com todos os nossos handicaps conseguimos dar a volta e ter qualidade de vida. É certo que não temos outras tantas coisas que nos fazem falta, mas se por opção vivemos cá temos a obrigação de ajudar a evoluir.
Perguntam-me o que podemos fazer ? Honestamente não sei, talvez deixar de olhar só para o umbigo…o nosso e o dos outros, que o que não falta é gente por ai na calhandrice sobre os umbigos alheios…
Também nós nos queixamos muitas vezes que “cá não há/faz nada”!!! Não conheço cá ninguém que nunca o tenha dito, embora admita que os haja!
Olhemos á nossa volta, percebamos o que pode fazer a diferença.
No meu entender daríamos um grande passo se nas eleições fossemos todos votar, para podermos fazer valer a nossa opinião, um -não voto- não expressa a nossa descrença, para isso existem os votos em branco, esses sim marcam uma posição, mas temos que lá ir colocar o papelinho nas urnas;
Sabemos que ainda existe muito o complexo, talvez agora mais secreto, do continental que se fixa cá, digo-vos que muita dessa gente opera verdadeiros milagres, e quando nos deixam, ficamos mais pobres essencialmente de espírito. Dou-vos como exemplo o Departamento de Oceanografia e Pescas (DOP), temos tido por aqui umas mãos cheias de óptimos investigadores (muitos também faialenses) e que sabemos nós do seu trabalho? No entanto é reconhecido internacionalmente, divulgando o nome do Faial na classe científica.
Os Bandarra , tão conhecidos de todos nós, essencialmente formado por “outsiders” que agora se sentem tão ou mais faialenses do que eu…não deixaram que a insularidade lhes criasse amarras, mas sim asas e usaram isso como inspiração! Pessoas que nos enriquecem e nem damos muitas vezes por elas…temos que começar a ser mais atentos socialmente!
Se participássemos todos mais afincamente nas actividades culturais que se têm desenvolvido na Horta, e ultimamente têm sido bastantes, seria um incentivo para quem as organiza a continuar…e não evoquemos a crise, porque muitas delas são gratuitas.
Tanta tinta se gastou a falar dos atrasos na construção no Teatro Faialense e na nova Biblioteca da Horta, e agora??? Faz-se tanta coisa por lá e as salas estão sempre meias (vazias).
Temos cá tanta gente gira, porque andamos nós escondidos nas tocas?
Podem-vos parecer de somenos importância os exemplos que dei, mas não podemos esperar que o contributo á mudança seja dado por pessoas que não vivam aqui de corpo e alma, como em tudo na vida – tem que haver PAIXÃO !!!
Temos que ser nós, os que escolheram este reduto de lava para educar os filhos ou apenas para acordar a ver o mar … que vivendo em harmonia com o salitre e sabendo que há muito a fazer, arregacemos as mangas e não fazendo disso uma luta, mas sim um propósito, juntemos dia a dia algo de belo ao “mágnifico já existente”.
Temos que nos insurgir não contra uma crónica, mas sim contra tudo, mas mesmo tudo, aquilo que achamos estar mal, e que na maioria das vezes nada fazemos para melhorar.
Se esta é a terra que escolhemos para viver…defenda-mo-la sim, mas da mediocridade e arrogância de quem por cá se arrasta ou anda apoiado em padrinhos barrigudos e a cargos de poder. Esses sim ofendem-nos a inteligência todos os dias!
Sissa Madruga