Horta, 23 Fevereiro 2012
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21 de Fevereiro de 2012

O que têm em comum os realizadores Raul Ruiz e Manoel de Oliveira? O sentido de humor, uma visão singular do mundo e John Malkovich, que esteve hoje em Lisboa para falar do trabalho com os dois cineastas.

O ator norte-americano está em Portugal para participar na rodagem do filme «As linhas de Torres Vedras» – que terminou no domingo -, o projeto que o realizador chileno Raul Ruiz deixou inacabado, quando morreu no verão passado, e que a mulher e realizadora Valeria Sarmiento concluiu.

A convite do produtor Paulo Branco, John Malkovich passou hoje à tarde pela FNAC Chiado, em Lisboa, e perante uma audiência que lotou por completo o pequeno espaço da loja contou como foi trabalhar em filmes mais antigos de Ruiz e de Manoel de Oliveira.

Malkovich rodou alguns filmes com Raul Ruiz, como «O tempo reencontrado» (1999) e «Klimt» (2006), e não quis deixar de participar neste projeto póstumo, «As linhas de Torres Vedras».

O filme tem como pano de fundo um episódio da história de Portugal de há 200 anos, durante as invasões francesas, e Malkovich desempenha o papel do decisivo general Wellington.

«Eu era capaz de trabalhar com ele [Raul Ruiz] vezes e vezes sem conta. Os atores adoravam-no porque ela gostava de atores. Porque há realizadores que não gostam de atores. Ele tinha muito bom gosto na representação», disse John Malkovich, que recordou ter conhecido Raul Ruiz em Paris, através de Paulo Branco.

O ator não gosta de comparar a técnica de Ruiz com a de Valeria Sarmiento, que assumiu a realização de «As Linhas de Torres Vedras», mas encontrou em ambos a mesma «tranqulidade e sentido de humor».

Para Malkovich, Raul Ruiz foi «o pensador mais independente» que conheceu no cinema e partilhava com Manoel de Oliveira uma «visão única e singular» sobre o mundo.

Também com o produtor Paulo Branco, John Malkovich rodou alguns filmes com Manoel de Oliveira, nomeadamente «O Convento» (1995) e «Um Filme Falado» (2003).

«Se eu vivesse até aos 104 anos não ficaria surpreendido que ele estivesse a filmar, porque há qualquer coisa de estranho», brincou Malkovich, a propósito da boa forma física e longevidade de Manoel de Oliveira, recordando alguns episódios de rodagens.

«É excecionalmente inteligente e muito divertido», disse o ator.

Sobre Manoel de Oliveira e Raul Ruiz, Malkovich rematou: «É por causa do cinema deles que nós finjimos que a vida é bela».

 

Lusa



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3 de Fevereiro de 2012

Mais de 1,2 milhões de idosos vivem sozinhos ou em companhia de outros idosos, fenómeno que aumentou 28 por cento na última década, revelou o Instituto Nacional de Estatística (INE).

Segundo os resultados dos Censos de 2011, 400.964 idosos vivem sozinhos  e 804.577 na companhia exclusiva de outras pessoas com 65 ou mais anos,  representando cerca de 60% da população idosa a viver nestas condições.

Na última década, os idosos a viver sós ou em companhia com outros  idosos aumentou 28%, passando de 942.594 em 2001 para 1,2 milhões em 2011,  adiantam os dados do INE. 

Os resultados dos Censos indicam também que o número de idosos a viver  sozinhos aumentou 29% em Portugal nos últimos dez anos, uma subida idêntica  (28%) à que se registou nos idosos que vivem exclusivamente com outros.

O INE refere que este aumento se verificou em todo o país, embora os  crescimentos superiores à média nacional tenham ocorrido, nos últimos dez  anos, na Região Autónoma da Madeira, Lisboa, Norte e Algarve. 

No entanto e de acordo com o INE, é nas regiões de Lisboa (22%), Alentejo  (22%) e Algarve (21%) que se verificaram as mais elevadas percentagens de  idosos a viver sós, enquanto as mais baixas taxas encontram-se nas regiões  do Norte e Açores, com 17% cada. 

Os resultados dos Censos de 2011 mostram que a população idosa, com  65 ou mais anos, residente em Portugal é de 2,023 milhões de pessoas, representando  cerca de 19 por cento da população total. Na última década o número de idosos  cresceu cerca de 19%. 

Na região Norte encontra-se 31% do total da população idosa, seguindo-se  as regiões Centro e Lisboa, ambas com cerca de 26%, seguindo-se Alentejo  (9,1%), Algarve (4,4%), Madeira (2%) e Açores (1,6%). 

Segundo o Instituto Nacional de Estatística, cerca de 20 por cento  dos alojamentos familiares (797.851) são exclusivamente habitados por pessoas  idosas, o que representa um acréscimo de 28,3% na última década.    

O INE indica também que 10 por cento dos alojamentos familiares são  habitados por uma só pessoa idosa. 

Os 15 municípios mais populosos do país apresentam, na generalidade,  percentagens mais baixas de alojamentos familiares habitados por uma pessoa  idosa a viver só. O peso relativo destes alojamentos varia entre 14,9 por  cento em Lisboa, 13,2% no Porto e 5,6% em Braga e em Guimarães. 

Em Sintra, Vila Nova de Gaia, Odivelas, Gondomar, Seixal e Matosinhos  o peso dos alojamentos familiares habitados por apenas uma pessoa idosa  situa-se entre 6,7 por cento e 8,1 por cento, abaixo da média nacional.

 

Lusa

 



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29 de Janeiro de 2012

Cada cidadão deve ser o primeiro defensor da sua privacidade, devendo apenas transmitir dados pessoais a quem conhece. O conselho é do presidente da Comissão de Protecção de Dados, alertando ainda que os jovens são quem mais facilmente partilha informação a terceiros.

Em declarações à agência Lusa, a propósito do Dia Europeu da Protecção de dados, que se assinala sábado, o presidente da Comissão Nacional de Protecção de Dados (CNPD) defendeu que proteger a privacidade deve ser uma preocupação de todos os países, que devem criar defesas contra possíveis limitações, mas sobretudo chamar a atenção que a defesa da privacidade começa em cada cidadão.

“Cada um de nós deve estar atento àquilo que diz, faz e mostra para que depois não se arrependa”, aconselhou Luís Novais da Silveira.

O presidente da CNPD lembrou que o primeiro critério na proteção da privacidade tem de ser o pleno conhecimento e consciência de que os dados pessoais são informações sobre cada si próprio e aconselhou a que os cidadãos transmitam os seus dados “sobretudo a entidades e pessoas que conheçam e que o façam sempre ponderadamente”.

Acrescentou que se deve ter plena consciência de quem poderá ter acesso e utilizar aquelas informações e admitiu que “caminhar para uma sociedade cada vez mais controlada é um inegável risco na atualidade”.

A esse propósito defendeu que tem ajudado a esse risco o facto de “as pessoas serem muito sensíveis a estas questões da segurança, às vezes mais do que as situações reais justificariam” e apontou que “há até situações curiosas”.

“Por exemplo, os adolescentes, e há estudos feitos sobre essa matéria, são mais ciosos da sua privacidade com os seus familiares do que perante terceiras pessoas. Exibem, designadamente na internet ou no facebook, informações sobre si próprios que às vezes escondem dos seus familiares”, apontou.

A esse propósito, lembrou que a CNPD mantém em funcionamento o programa ‘Dadus’, uma iniciativa de sensibilização dos alunos dos 2º e 3º ciclos para a importância da proteção de dados e da privacidade, justificando que “deve ser desde as mais tenras idades que os cidadãos devem ser alertados para os seus direitos, para os direitos que têm em termos de proteção de dados e para a necessidade que têm de os defender”.

Luís Novais da Silveira admitiu que nas novas ferramentas tecnológicas há um maior perigo de compressão da privacidade e que isso obriga a que se tente encontrar formas de limitar esse risco.

“É uma luta de todos os dias e que não se pode dizer que esteja a ser ganha ou a ser perdida. É um combate diário, mas que hoje temos a nossa privacidade mais comprimida é uma realidade que não pode ser escondida”, disse o presidente da CNPD.

Salientou que os progressos tecnológicos trazem progressos inevitáveis a nível social e económico e que não faz sentido combater esses progressos, mas apontou que muitas dessas atividades “criam inegáveis riscos para a privacidade”, nomeadamente com a geolocalização, a internet ou a videovigilância.

 

Lusa



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25 de Janeiro de 2012

As quintas-feiras que antecedem o Carnaval nos Açores convocam amigos, amigas, compadres e comadres para um almoço ou jantar, uma tradição peculiar que, além de festejar a época carnavalesca, assinala a amizade e fortalece a interação social.

“É uma tradição que preza a união e a interação entre as pessoas, neste caso vivenciar, nas suas quatro semanas anteriores, provavelmente aquilo que seja a folia do Carnaval”, explicou à Lusa o sociólogo Miguel Brilhante.

Um pouco por todos os concelhos dos Açores, as quintas-feiras que antecedem o Dia de Entrudo juntam centenas de pessoas, primeiro na celebração do Dia de Amigos, seguindo-se o das Amigas, depois os Compadres e por último as Comadres.

As comemorações tem ganho de ano para ano cada vez mais adeptos e dinamismo, mas prevalece sempre um dado curioso e “singular”: a separação dos sexos e dos géneros.

“São quatro elos de interação muito importantes que fazem parte da proximidade interpessoal dos indivíduos”, referiu o sociólogo, ao analisar o fato de a celebração de amigos ser restringida a grupos de homens e das amigas a mulheres.

Segundo Miguel Brilhante, “acabam por ser sempre grandes laços de proximidade entre as pessoas, mas o que carrega mais unicidade desde fenómeno é a separação dos sexos, dos géneros, fazendo convívios em que são partilhados com amigos e na semana seguinte com as amigas e depois os compadres e as comadres”.

“E é curioso verificar que, quer no jantar de amigos ou no dia das amigas as pessoas, transformam-se como se o mundo fosse daquele sexo naquele dia”, referiu.

Embora não exista uma data precisa da introdução daqueles festejos, a tradição aponta para o fato de ser “secular”.

Para assinalar a data, restaurantes e bares organizam almoços e jantares especiais, mas a tradição tem também vindo a sofrer algumas alterações associadas às ofertas dos tempos modernos, com a realização de espetáculos de striptease masculinos e femininos.

Miguel Brilhante sublinhou ainda os efeitos transversais que a realização deste tipo de eventos provoca junto dos empresários locais.

“Podemos verificar que esta tradição convoca a pessoas a todas as quintas-feiras a um almoço, um jantar e depois associar a estes tipos de festejos extras que ou são mais interativos ou mais seletos ou fora do contexto que qualquer um consegue dinamizar no seu dia a dia”, acrescentou.

Para o sociólogo, trata-se de “uma particularidade histórica com repercussões sociais interessantes”, quer seja no dia dos Amigos ou Amigas, mas ambos dando importância ao “papel e continuidade da amizade”.

“Nestas comemorações acaba por haver uma animação preliminar da qual a amizade e a proximidade entre as pessoas têm um peso fundamental, que até pode ser encarado como uma preparação para a grande festa do Carnaval”, segundo o sociólogo.

 

Lusa



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19 de Janeiro de 2012

Daniel ouviu falar do concurso pelo rádio. Falou com Miguel e Guilherme, amigos e colegas de curso de Bioengenharia da Faculdade de Engenharia da Universidade do Porto, e decidiram participar. Agora estão entre os 10 finalistas. Os três querem levar a sua experiência científica à Estação Espacial Internacional.

O ‘YouTube Space Lab’ é uma competição mundial que pretende levar à Estação Espacial Internacional experiências inovadoras. Quem participa tem de ser não só inteligente e criativo, mas também muito novo, entre os 14 e os 18 anos.

 

A ideia de base é que os jovens mostrem em vídeo uma ideia para uma experiência científica que venha depois a ser testada na Estação Espacial Internacional, ou seja, num local sem gravidade. Porque há algo mais para lá do planeta Terra: “Enquanto nos confinarmos a um planeta, a existência das espécies estará em causa”. Quem o diz é Stephen Hawking, célebre cientista britânico, que faz parte do juri. Ao lado de Hawking estão jurados como astronautas da Agência Espacial Europeia.

“Sentimo-nos extremamente lisonjeados por ter personalidades tão importantes a assistir ao nosso vídeo e a avaliar o nosso projeto. Seria fantástico conhecê-los pessoalmente”, diz-nos via email Miguel Ferreira, um dos “cérebros” por trás de um dos dois grupos de portugueses que está entre os 60 finalistas.

 

O período de votação nos finalistas abriu ontem e vai até dia 24, sendo a escolha feita nos 10 selecionados de cada uma de três regiões em duas categorias (14-16 e 17-18 anos): Américas, Europa, Médio Oriente e África, Ásia e Pacífico.

 

A ideia

As possibilidades eram infinitas. Miguel Ferreira conta-nos como chegaram à ideia que apresentam a concurso: “Pensámos, num primeiro momento, em fazer algo um pouco mais simples, tal como tentar misturar azeite e água no espaço e ver aquilo que acontecia. No entanto, surgiu-nos a ideia de trabalhar com leveduras e fermentação alcoólica.”

O conceito de partida é simples, atual e apelativo: a produção de biocombustíveis no espaço é mais rentável do que na Terra. Miguel, 18 anos, explica melhor: “Partindo do princípio básico de que, na Terra, aquilo que tem densidades diferentes se organiza por causa da gravidade (menos denso em cima, mais denso em baixo, tal como azeite e água) e da ideia de que na Estação Espacial Internacional não há gravidade considerável, pensamos que ao colocar no espaço uma mistura com os ingredientes necessários para realizar fermentação alcoólica, esta vai-se dispor de um modo ideal, uma suspensão perfeita, pelo que as leveduras irão produzir mais etanol do que na Terra”.

 

Em plena crise económica, com os preços dos combustíveis a disparar e a busca por energias alternativas a impor-se, a ideia dos três jovens colegas de curso mereceu-lhes o lugar nos 10 finalistas. “Se a nossa hipótese se confirmar, produzir biocombustíveis no espaço será mais rentável do que na Terra, pelo que talvez se torne viável a utilização destes para viagens espaciais”, remata Miguel.

Após serem escolhidos os vencedores de cada região, nas duas categorias etárias, estes vão viajar até Washington em março, onde serão anunciados os vencedores mundiais, cuja experiência vai decorrer no espaço e transmitida em direto no YouTube em meados de 2012.

Se vencerem a competição global, Miguel, Daniel e Guilherme vão ver a sua experiência realizada no espaço: “Seria uma honra enorme trabalhar com agências tão importantes como a NASA, a ESA e a JAXA para a concretização de um projecto nosso”, diz Miguel Ferreira.

Do alto dos seus 18 anos, Miguel não pensa muito no futuro. Vai formar-se numa área em que muitos escolhem emigrar. Alguns ministros já fizeram até esse convite aos mais jovens da sociedade portuguesa. “Penso que se tivermos as condições necessárias para concretizar os nossos sonhos no nosso país, isso não será necessário”, diz-nos Miguel. “No entanto, nunca se sabe o que nos espera o futuro”, remata.

 

 

 

Fonte: Sapo noticias



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18 de Janeiro de 2012

Uma pesquisa divulgada na convenção anual da Associação Americana de Psicologia revelou que pessoas sofrem mais com bullying virtual do que quando são agredidas no “mundo real”. Redes sociais, como Facebook, comunidades de games e outras redes virtuais de relacionamento tornaram-se tão relevantes para a sociedade que a reputação do indivíduo na internet passou a ser mais valorizada.

Segundo Elizabeth Carll, responsável pelo estudo, os entrevistados têm dois motivos principais para sofrerem mais com o bullying virtual. O primeiro é que as vítimas não conseguem abandonar sua “vida virtual”, mesmo após serem perseguidas por e-mail, por exemplo. Elas tendem a permanecer em contato com o que as prejudicam; é como se não conseguissem parar de apertar uma ferida aberta. O segundo motivo é que as ofensas publicadas na internet possuem proporções globais, tendo em vista o alcance da web.

A pesquisadora afirma também que as redes sociais são o meio mais usado para perseguir as vítimas, que passam a apresentar sintomas como stress, ansiedade, medo e pesadelos, assim como dificuldade para comer e dormir. A preocupação maior é com os menores, que podem ter mais dificuldade para lidar com a situação.

 

Fonte : TechTudo



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11 de Janeiro de 2012

Uma equipa de investigadores de Copenhaga descobriu  uma hormona segredada pelo intestino que faz perder o apetite, ajudando  a controlar o peso das pessoas obesas, revela um estudo hoje divulgado.

A hormona, conhecida como GLP-1, é segregada naturalmente pelo intestino  quando as pessoas estão a comer e começou por ser usada para tratar doentes  com diabetes, devido à sua capacidade para regular os níveis de açúcar no  sangue. 

No entanto, durante a investigação, os médicos perceberam que a hormona  deixava os pacientes com menos fome e uma equipa de pesquisadores da Universidade  de Copenhaga decidiu avançar com um estudo para descobrir outras qualidades  da GLP-1. 

Depois de analisados os resultados de 25 ensaios clínicos que envolveram  mais de seis mil pacientes que receberam GLP-1, os investigadores concluíram  que os pacientes que receberam uma dose mínima durante pelo menos 20 semanas  apresentaram maior perda de peso do que os outros. 

De acordo com um artigo publicado no British Medical Journal, a administração  da hormona provocou ainda uma melhoria da pressão arterial, do colesterol  e da glicemia (processo pelo qual o corpo se ajusta ao impacto dos hidratos  de carbono sobre os níveis de açúcar no sangue). 

Os resultados fornecem “provas convincentes” de que o GLP-1 “resulta  em efeitos benéficos clinicamente relevantes no peso corporal” de pacientes  obesos, concluíram os pesquisadores. 

Apesar das boas notícias, alguns pacientes sentiram efeitos secundários  durante a administração da GLP-1: náuseas, vómitos e diarreia.

A equipa de investigadores defende que a hormona deve ser usada em pacientes  obesos que sofrem de diabetes e quer avançar com novos estudos para testar  a sua eficácia em obesos não diabéticos. 

Apesar das boas notícias, os investigadores sublinham que a segurança  a longo prazo da hormona ainda é desconhecida. 

 

 

Lusa



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1 de Janeiro de 2012

O ano de 2012 promete ser muito complicado para as famílias e empresas, com as exigências da ‘troika’ e as medidas de austeridade decididas pelo Governo a juntarem-se aos sucessivos pacotes de austeridade que têm sido impostos aos portugueses.

A lista é vasta, mas à cabeça estão naturalmente os cortes nos subsídios de Natal e de férias dos funcionários das Administrações e empresas públicas e pensionistas, de forma gradual para quem ganha entre 600 e 1.100 euros, e de totalmente para quem ganha mais de 1.100 euros.

Mas são muitas as medidas que os portugueses vão sentir, em especial do lado dos impostos. Para além do que afecta a vida normal dos portugueses com os cortes e poupanças feitas no Estado, os cortes nas deduções, em especial educação e saúde, vão também limitar muito o orçamento das famílias.

O acesso à saúde fica mais caro, os recursos da educação sofrem um grande corte, o preço da electricidade aumenta ainda mais, tal como o tabaco, os automóveis ou as bebidas. Mas há ainda o cabaz alimentar e muitos produtos e eventos, desde a batata a um bilhete para ver um jogo de futebol, que sofrem fortes aumentos com a passagem das taxas reduzida e intermédia do IVA para a taxa normal.

A restauração sofrerá também um aumento da taxa do IVA de 13 para 23 por cento, ficando provavelmente mais caro comer fora, encomendar comida ou comprar comida feita.

 

 

Eis as principais medidas de austeridade de 2012:

 

ADMINISTRAÇÃO PÚBLICA

- Subsídios de Natal e de férias dos trabalhadores das administrações e empresas públicas e dos pensionistas sofrem corte gradual entre os 600 e os 1.100 euros e corte total acima dos 1.100 euros;

- Corte de entre 3,5 e 10 por cento dos salários dos trabalhadores das administrações e empresas públicas transitam de 2011 para 2012;

- A progressão de carreira continua congelada até 2013;

- Os escalões salariais da função pública serão totalmente revistos e comparados com os praticados no sector público, algo que o Governo terá de concluir até 2013;

- Serão feitas poupanças ainda nas restantes componentes dos salários dos trabalhadores das Administrações Públicas, como as horas nocturnas e as horas extraordinárias que serão reduzidas para metade;

- Os funcionários públicos excedentários, em regime de mobilidade especial, vão ter um corte agravado no salário que recebem estando em situação de inactividade;

- Os dirigentes da administração pública estão impedidos de acumular quaisquer outras funções, sejam essas remuneradas ou não;

- O Governo terá de reduzir em pelo menos 2 por cento o número de funcionários públicos, o que garante uma redução líquida de 1.620 milhões de euros em custos salariais em 2012, conforme o exigido pela ‘troika’.

- Autarquias e regiões autónomas que tiverem aumentado o número de trabalhadores nos anos anteriores poderão ter mesmo de reduzir até 3 por cento do número de trabalhadores.

 

SUBSÍDIO DE DESEMPREGO

- Redução da duração máxima do subsídio de desemprego de três anos para 18 meses, mas alguns desempregados poderão ver o período de atribuição de subsídio chegar aos 20 meses, desde que tenham um mínimo de cinco anos de descontos;

- Redução de pelo menos 10 por cento do montante das prestações;

- Redução do período contributivo necessário para aceder ao subsídio de desemprego, de 15 para 12 meses;

- Alargamento da atribuição desta prestação social aos trabalhadores independentes que prestam serviços regularmente a uma única empresa;

- Majoração ‘temporária’ de 10 por cento do montante do subsídio de desemprego nas situações em que «ambos os membros do casal sejam titulares de subsídio de desemprego e tenham filhos a cargo, abrangendo esta medida igualmente as famílias monoparentais»;

- Redução de 450 para 360 dias o prazo de garantia para o subsídio de desemprego, de modo a alargar a protecção aos beneficiários mais jovens;

- Redução do limite máximo do montante mensal do subsídio de desemprego, mantendo-se os valores mínimos de forma a salvaguardar os beneficiários com menores salários;

 

PENSÕES

- Subsídio de férias e de Natal dos pensionistas sofre corte gradual entre os 600 e os 1.100 euros e corte total acima dos 1.100 euros;

- Pensões continuam congeladas em 2012, com excepção das pensões mínimas;

 

LEGISLAÇÃO LABORAL

- Governo decidiu permitir o alargamento em 30 minutos/dia o horário de trabalho, ainda estando em discussão como esta medida avançará na prática e onde será aplicada;

- Corte de quatro feriados e redução de três dias de férias;

- Contratos a prazo podem ser renovados por mais tempo;

- Governo quer alterar regras de despedimento por inadaptação;

- Redução das indemnizações em caso de cessação de vínculo laboral;

 

SAÚDE

- Taxas moderadoras irão ser aumentadas.

- Será mais limitado o acesso ao diagnóstico e tratamento convencionado, e analisada a concentração de serviços de saúde, tal como uma reorganização das urgências hospitalares (poderá levar à redução numero de serviços de saúde e de urgências).

- Pessoal da área da saúde, como médicos e enfermeiros, terão de reduzir o número de horas extraordinárias que fazem e receberão menos por essas horas trabalhadas.

 

EDUCAÇÃO

- Será feita uma redução drástica das verbas disponíveis para a Educação, o sector onde estão empregados mais funcionários públicos.

- A revisão curricular poderá ditar a dispensa de professores (tendo o Governo garantido que os professores do quadro não serão alvo de despedimento, não se sabe o que acontecerá aos restantes).

- Os trabalhos de renovação e construção de escolas a cargo da Parque Escolar estão suspensos (com excepção dos já em curso), aguardando o resultado de duas auditorias à empresa pública, uma do Tribunal de Contas e outra da Inspecção-Geral de Finanças.

 

IMPOSTOS

IRS

- Escalões não são actualizados, ou seja, quem tiver aumentos salariais arrisca subir de escalão e pagar mais imposto.

- Sobretaxa de 1% nos primeiros três escalões e de 1,5% a partir do quarto escalão transitam de 2011 para o próximo ano.

- Rendimentos colectáveis acima dos 153.300 euros anuais passam a sofrer mais um agravamento, desta vez de 2,5 por cento.

- Deduções à colecta passam a ter limites para os rendimentos a partir do terceiro escalão até ao sexto, entre os 1.250 e os 1.100 euros. Os rendimentos dos dois escalões mais elevados perdem o direito a fazer deduções à colecta.

- Despesas de saúde passam a ser dedutíveis em apenas 10 por cento do montante gasto (eram em 30 por cento) e com um limite máximo de duas vezes o Indexante dos Apoios Sociais (IAS), que são 838,44 euros.

- Pensões de alimentos passam a ser dedutíveis com um limite de 419,22 euros (um indexante de apoios sociais (IAS)) por beneficiário (antes o limite era de 2,5 vezes o IAS).

- Será ainda feito o ajuste, com uma taxa de 3,5 por cento, na altura de apurar o imposto (após a entrega da declaração de IRS) do corte no subsídio de natal.

 

IRC

- Taxa reduzida de 12,5 por cento aplicada a empresas com matéria colectável até 12.500 euros é eliminada.

- Lucros tributáveis superiores a 10 milhões de euros sujeitos a nova taxa de 5 por cento.

- Lucros tributáveis entre 1,5 milhões de euros e 10 milhões de euros passam a ter uma sobretaxa de 3 por cento (anteriormente 2,5 por cento para lucros acima dos 2 milhões de euros).

- O prazo de reporte de prejuízos fiscais passa de 4 para 5 anos, mas passa a ser limitado a 75 por cento do lucro tributável apurado em cada exercício.

 

IVA

- Bebidas e sobremesas lácteas; sobremesas de soja incluindo tofu; batata (fresca descascada, inteira ou cortada, pré-frita, refrigerada, congelada, seca ou desidratada, ainda que em puré ou preparada por meio de cozedura ou fritura); refrigerantes, xaropes de sumos, bebidas concentradas de sumos e os produtos concentrados de sumos; provas e manifestações desportivas e outros divertimentos públicos; ráfia natural, deixam de ser tributados na taxa do IVA de 6 por cento e passam a 23 por cento.

- Águas de nascente e águas minerais, ainda que reforçadas ou adicionadas de gás carbónico e actividades culturais, deixam de ser tributados à taxa de IVA de 6 por cento e passam a 13 por cento.

- Serviços de alimentação e bebidas (restauração incluída), conservas de frutas, frutos e produtos hortícolas, frutas e frutos secos, óleos e margarinas alimentares, café, incluindo sucedâneos e misturas, aperitivos à base de produtos hortícolas e sementes, produtos preparados à base carne, peixe, legumes ou produtos hortícolas, massas recheadas, pizzas, sandes, sopas e refeições prontas a consumir (em regime de pronto a comer e levar ou com entrega ao domicilio), aperitivos ou ‘snacks’ à base de estrudidos de milho e trigo, de milho moído e frito ou de fécula de batata, gasóleo de aquecimento, diversos aparelhos e equipamentos relacionados com energias renováveis, prospecção de petróleo e gás natural e medição e controlo de poluição, passam a ser tributados a 23 por cento, quando antes eram a 13 por cento.

 

TRIBUTAÇÃO DA ELETRICIDADE

- Para além do aumento antecipado para Outubro do IVA sobre a electricidade e gás natural, de 6 para 23 por cento, a electricidade passa a estar sujeita ao imposto sobre os produtos petrolíferos e energéticos (o que se aplica à gasolina por exemplo). O aumento deve ser equivalente a 50 cêntimos numa factura de electricidade a rondar os 70 euros.

- No que diz respeito às taxas que são aplicáveis aos produtos petrolíferos e energéticos os aumentos rondam os 2 por cento. A taxa aplicável ao gasóleo sobe cerca de 18 por cento e o gasóleo de aquecimento quase 54 por cento.

 

BEBIDAS

- O imposto sobre o álcool e bebidas alcoólicas sobe em média 2 por cento, mas as bebidas espirituosas sobem 4,6 por cento.

 

TABACO

- Carga fiscal sobre os cigarros agravada em cerca de 4,6 por cento.

- Charutos e cigarrilhas vêm o imposto aumentar de 13 para 15 por cento.

- No tabaco de corte fino destinado a tabaco de enrolar a taxa de imposto passa de 60 para 61,4 por cento e nos restantes tabacos de fumar passa de 45 para 50 por cento. O imposto aplicado ao tabaco de enrolar não pode ser inferior a 0,075 euros por cada grama. (por exemplo, um pacote de 50 gramas terá de pagar uma taxa de pelo menos 3,75 euros).

 

AUTOMÓVEL

- Os veículos de passageiros vão pagar mais Imposto sobre Veículos (ISV). Os aumentos, já com o IVA, representam aumentos para quem comprar carro entre os 6 e os 9,3 por cento. Os carros antigos também sofrem um aumento do imposto.

- Nas motas, que anteriormente só estavam sujeitas a ISV a partir dos 180 centímetros cúbicos de cilindrada, passam a estar sujeitas todas a partir dos 120 centímetros cúbicos. O maior impacto deverá fazer-se sentir no mercado das motos com 125 centímetros cúbicos que passaram a poder ser conduzidas apenas com carta de condução de ligeiros (anteriormente eram apenas as de 50 centímetros cúbicos).

- O Imposto Único de Circulação é também actualizado, o que resultará num aumento entre os 2,3 e os 7,5 por cento.

 

MAIS-VALIAS, JUROS E DIVIDENDOS

- A proposta inicial previa um aumento da taxa das mais-valias de 20 para 21,5 por cento, para ficar ao nível das restantes taxas liberatórias, mas as alterações nos cortes salariais levaram o Governo a propor e aprovar um aumento de todas as taxas liberatórias, incluindo as mais-valias, para os 25 por cento.

 

IMI

- A isenção de IMI para as casas destinadas a habitação dos seus proprietários, que até agora poderia chegar aos oito anos, passa a ficar limitada a um período de três anos. Ainda assim, esta isenção apenas se aplica aos sujeitos passivos ou aos agregados familiares cujo rendimento colectável, para efeitos de IRS, no ano anterior, não seja superior a 153.300 euros e o imóvel em questão não exceda 125.000 euros.

 

 

Lusa



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29 de Dezembro de 2011

Sabia que a moeda única é quase imune à crise e que o Banco de Portugal continua a trocar escudos até 2022? Quando o euro completa uma década de circulação, fique a saber mais sobre a moeda de 17 países da Europa.

 

1. Começou em 12 países: O euro foi lançado em 1999 como moeda escritural, ou seja, utilizado para depósitos e créditos a partir dos bancos. A 1 de janeiro de 2002 as notas e moedas do euro começaram a circular em 12 países: Alemanha, Áustria, Bélgica, Espanha, Finlândia, França, Grécia, Irlanda, Itália, Luxemburgo, Holanda e Portugal.

2. Símbolo da Europa: O euro é hoje usado por cerca de 332 milhões de pessoas em 17 países que formam a Zona Euro. Não é por acaso, que o euro subiu rapidamente ao pódio das moedas mais fortes do mundo, competindo diretamente com o dólar. A moeda única tornou-se num dos símbolos da Europa.

3. Inspiração grega: O nome da moeda única foi decidido em 1995 no Conselho Europeu em Madrid. O símbolo do euro (€) teve como inspiração a letra do alfabeto grego épsilon, invocando a Grécia como berço da civilização europeia. O € faz referência à primeira letra de “Europa” e as linhas retas do símbolo representam a estabilidade da moeda única.

4. Papel do BCE: O Banco Central Europeu (BCE) está no topo da hierarquia quando se fala do euro. A instituição foi criada em 1998 com o propósito de garantir a política monetária comum. O BCE tem tido um papel importante no financiamento da dívida de muitos países face à conjuntura atual.

5. Imune à crise? Apesar da crise vivida em vários países da Europa, a moeda única mantém-se estável. Alguns analistas defendem a desvalorização do euro face ao dólar mas a verdade é que a segurança oferecida por alguns países, como a Alemanha e a Finlândia, fazem com que o euro fique quase imune à crise.

6. Convivência pacífica: O euro e o escudo conviveram em Portugal até 28 de fevereiro de 2002. O Banco de Portugal vai continuar a realizar trocas da moeda antiga até fevereiro de 2022.

7. Portugal nas moedas do euro: Portugal já esteve presente em três moedas comemorativas de 2 euros: em 2007 durante a presidência portuguesa da União Europeia, em 2010 com o aniversário do centenário da I República e em 2011 com as comemorações de 500 anos do nascimento de Fernão Mendes Pinto.

8. Mais segurança: Em Abril de 2005, foi aprovada pelo BCE a segunda série de notas de euro (ES2), com o objetivo de reforçar a segurança, combater a falsificação e aumentar a durabilidade das notas.  No primeiro semestre de 2011, foram retiradas de circulação quase 300 mil notas de euro contrafeitas.

9. Notas históricas: Os desenhos das notas do euro, feitos por Robert Kalina, são inspirados nas “Idades e Estilos da Europa”. Assim, a nota de 5 representa o estilo Clássico, a de 10 o Românico, a de 20 o Gótico, a de 50 o Renascentista, a de 100 o Barroco, a de 200 a arquitetura em ferro e vidro e a de 500 a arquitetura moderna.

10. Moedas personalizáveis: Já no caso das moedas, desenhadas por Luc Luycx, existem uma face comum com diferentes representações de mapas da Europa e uma face que varia de país para país. Em Portugal, as faces nacionais da moeda foram desenhadas por Vítor Manuel Fernandes dos Santos e são inspiradas em três selos reais de D. Afonso Henriques.

 

 

Lusa



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27 de Dezembro de 2011

Suíça, França ou Angola são alguns dos destinos favoritos dos portugueses que procuram uma vida melhor. No entanto o Brasil tem sido um dos países mais procurados e só nos primeiros seis meses deste ano foram concedidos mais de 52 mil vistos de residência.

Entre 100 mil a 120 mil portugueses emigraram este ano, informa o jornal i. O número é lançado pelo secretário de Estado das Comunidades Portuguesas, José Cesário, que explica que não existem dados concretos sobre as saídas de Portugal, mas sabe-se que estão a aumentar.

“Esta é uma tendência dos últimos anos. A onda de emigração dura há quatro, cinco ou seis anos”, afirma o secretário de Estado, acrescentando que o movimento “está a aumentar para países como a Suíça, a França ou o Brasil”.

Dados do departamento de estrangeiros da Secretaria Nacional de Justiça do Ministério da Justiça brasileiro publicados ontem indicam que entre Dezembro de 2010 e Junho deste ano os pedidos de residência permanente por parte de portugueses aumentaram de 276.703 para 328.856. Por outro lado, têm sido emitidos muitos vistos para a realização de trabalhos temporários, estudos e pesquisas.

Não é fácil obter números efetivos sobre a emigração portuguesa, quer porque o registo consular não é obrigatório, quer porque a livre circulação de pessoas no espaço económico europeu veio tornar impossível conhecer em pormenor os movimentos migratórios.

“Cada vez há mais trabalho temporário, as pessoas vão por determinado período de tempo e regressam”, justifica José Cesário, para ilustrar a dificuldade dos números. “Mas conhecemos os fluxos”, argumenta. “Através do contacto com associações, com empresas, com bancos, conhecemos os movimentos. Sabemos que até há dois anos as pessoas que emigravam para o Brasil iam para o Nordeste e agora vão também para o Rio de Janeiro e para São Paulo. Sabemos que a emigração para a Suíça está a crescer, que para o Reino Unido está estabilizada e que para Espanha está a reduzir”. Aumenta também a emigração com destino a França e a Angola.

Sabe-se que em tempos de crise a emigração aumenta. Nunca a frase de Eça de Queiroz em “As Farpas” – “Em Portugal a emigração não é, como em toda a parte, a transbordação de uma população que sobra; mas a fuga de uma população que sofre” -, foi tão citada. A procura de oportunidades de trabalho na Europa mais do que duplicou e só no último mês aumentou 58%.

Segundo o Instituto do Emprego e Formação Profissional, citado pela Lusa, o portal de mobilidade profissional Eures totalizava 20.686 candidaturas portuguesas no final de Novembro de 2008, número que no final do mês passado atingia os 46.223 candidatos, mais do dobro.

Os novos emigrantes não diferem das chamadas vagas convencionais apenas no que diz respeito ao destino. A emigração é cada vez mais qualificada e começa em faixas etárias mais novas e estende-se até idades mais avançadas, entre os 40 e os 50 anos.

“Quando vejo emigrar jovens com grande preparação académica e científica, claro que fico preocupado”, confessa o secretário de Estado das Comunidades Portuguesas, que considera que o país está a perder “massa cinzenta”, reduzindo internamente a capacidade das empresas de perceber movimentos de crescimento e de internacionalização.
O deputado do Partido Socialista e membro da comissão parlamentar das Comunidades Portuguesas, Paulo Pisco, diz que “em primeiro lugar têm de ser criadas em Portugal condições para fixar estes portugueses, através de políticas de natureza económica, como incentivos à criação de emprego e empresas”.

O responsável pelo departamento de migração da CGTP, Carlos Trindade, lembra que o primeiro-ministro, Passos Coelho, colocou os trabalhadores portugueses numa situação dificílima ao afirmar que deviam procurar trabalho no exterior. “Isto mostra absoluta incapacidade do Estado, e não só deste governo, em criar medidas geradoras de emprego e de fixação dos seus em território nacional. O que o primeiro-ministro devia ter dito é que iria negociar oportunidades de emprego com este ou aquele país, valorizando a capacidade dos emigrantes, tal como se fazia antes com a Suíça, por exemplo, com quem se negociavam pacotes de empregos”.

 

 

SAPO



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26 de Dezembro de 2011

Durante 2011, várias medidas, fruto da crise ou da mudança de governo, provocaram perdas em grandes áreas como saúde, educação e energia. 2012 vai começar diferente para os portugueses.

 

O ano em que muitos perderam os subsídios de férias e Natal: Uma das medidas de austeridade mais polémicas do governo PSD-CDS foi neste último mês de 2011 sentida por muitos portugueses: o corte no subsídio de Natal. Em 2012 e 2013, funcionários públicos e pensionistas com salários superiores a 600 euros recebem cortes parciais mas aqueles que tenham vencimentos acima dos 1.100 euros perdem estes subsídios na totalidade.

 

O ano em que o Estado perdeu as “golden shares”: Por pressão da ajuda externa a Portugal, o Estado perdeu influência direta nas maiores empresas portuguesas. No memorando de entendimento assinado entre o Estado e a ‘troika’, o executivo comprometeu-se a eliminar “as “golden shares” e todos os outros direitos estabelecidos por lei ou nos estatutos de empresas cotadas em bolsa que confiram direitos especiais ao Estado.

 

O ano em que a cultura perdeu um ministério: O ano de 2011 ficou marcado pela extinção do Ministério da Cultura, com a tutela a depender diretamente do primeiro-ministro, uma alteração que o secretário de Estado, Francisco José Viegas, considerou a solução “muito mais adequada”.

 

O fim da proteção ao setor da Energia: O setor energético foi um dos que mais sofreram com as imposições do memorando da ‘troika’, uma situação que marca 2011, mas que terá consequências maiores nos próximos anos. A que mais atinge o bolso dos portugueses, a fatura de eletricidade, terá uma subida significativa quando acabarem as tarifas reguladas e, perante uma EDP completamente privada, será difícil a qualquer Governo fazer uma política mais protecionista.

 

Menos horas extraordinárias e convencionados na Saúde: Os 3 mil milhões de euros em dívidas e uma poupança de 10 a 15% têm norteado a ação do ministro Paulo Macedo, que começou por cortar na despesa com medicamentos, horas extraordinárias e convencionados.  Os utentes terminam o ano a saber que em 2012 vão pagar mais no Serviço Nacional de Saúde, com o aumento das taxas moderadoras: uma consulta no centro de saúde passa a custar 10 euros e uma ida às urgências fica entre 15 a 20 euros.

 

O fim das direções regionais de educação: A chegada de Nuno Crato ao Ministério da Educação, em junho, marcou uma mudança na visão do setor. Começou por arrumar a casa, que sempre considerou assentar numa estrutura demasiado pesada, dando início ao processo de extinção das direções regionais de educação. Eliminou horas que considerou dispensáveis e reforçou o tempo de matemática e português. Decidiu trocar a prova de aferição do 6.º ano por uma prova final que contará 25 por cento para a nota do aluno.

 

O fim das borlas nas SCUT: Foi uma medida que começou em 2010 e foi concluída neste ano: as autoestradas sem custo para os utilizadores (SCUT) são agora todas pagas. A introdução de portagens eletrónicas nestas estradas é motivo de protestos de Norte a Sul do país. Os mais graves ocorreram neste mês com a vandalização de um dos pórticos da A22, atingido com tiros.

 

O fim do passe social para todos: Até agosto deste ano, qualquer um podia comprar o passe social para os transportes públicos. Mas com a entrada em vigor do “Passe Social +” só as famílias com rendimentos brutos médios mensais de até 545 euros por contribuinte têm direito a utilizar este título.

 

 

Lusa



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20 de Dezembro de 2011

O Natal, para mim, é a grande celebração da vida. Das nossas vidas.

 

Nenhum outro momento festivo, à escala global, convoca mais a alegria e a paz.

 

Nenhuma outra evocação junta melhor a esperança aos que estão tomados pela tristeza. E como na vida as tristezas não nos poupam, é muito importante nunca nos vermos privados da esperança.

 

O Natal – para os cristãos, como para a maioria dos homens e das mulheres por este mundo fora – é um tempo simultaneamente de trégua e de acção.

 

De trégua, para os que se desirmanaram. De quietação para os que se combatem. De maior serenidade para os que se agitam. De reflexão para os que se precipitam no imprevisto.

 

É também um tempo de acção. O Natal, reproduzindo o nascimento de Jesus, reacende a luz prometedora e instiga a aptidão, que todos conservamos no nosso interior, para renascer: a capacidade de recomeçar ou de fazer mais, de fazer melhor, de fazer diferente – de cumprir a promessa de Ano Novo.

 

Na relação com o próximo, na quadra natalícia, a fraternidade ganha mais vezes que o egoísmo. São tantos, felizmente, os que beneficiam deste impulso generoso e só é pena que ele não seja mais duradouro e até constante.

 

Olhamos em redor e descobrimos, com outra clareza, o que falta e o que sobra, compreendendo que fazemos parte desse todo, onde contribuímos, em mais ou em menos, para o seu melhor como para o seu pior.

 

É bom sentir que ajudamos, ou que podemos ser ajudados. Sobretudo, é imprescindível ajudar. Não falo da caridade farisaica, televisionada, ostentatória, dos que anunciam previamente a sua prodigalidade para bem parecer; dos que fotografam os que recebem, para aparecerem afinal os que dão. Falo da solidariedade a sério: dos que dão o que podem e não dos que mostram o que dão. Falo, pois, também, da generosidade que vence a vaidade. Em suma, da verdadeira solidariedade do Natal. Essa é a que mais interessa, a que é mais verdadeira e aquela a que apelo junto de todos os açorianos.

 

Nestes últimos anos, nesta mensagem de Natal, chamei muitas vezes a atenção para as notícias das crises dos países e das economias externas, cujos efeitos se fazem sentir agora com maior intensidade nas nossas ilhas. Como disse recentemente, levar os Açores para a frente, com a Europa e o País a puxarem para trás, tem sido mais difícil. Porém, apesar de todas as dificuldades que estamos a sentir por essas razões – nas empresas, no emprego e no rendimento das famílias – temos conseguido, e vamos continuar a conseguir, que a crise, que nos chegou mais tarde, seja menos penosa do que no Continente e na Madeira está a ser e que seja entre nós ultrapassada mais cedo.

 

Mesmo a situação financeira da Região, que uns gostam tanto de desmerecer, tomara que o País e muitos outros tivessem uma situação igual ou parecida. Estariam, todos, certamente, bem mais aliviados.

 

Os Açores têm resistido melhor – isso, quase todos o reconhecem. Mas, para mim, o mais importante é que, reagindo a essas adversidades que se acercaram, os políticos – pela sua acção no governo, no parlamento, nas câmaras municipais e junto dos cidadãos – sejam capazes de, nos Açores, auxiliar os mais frágeis com os apoios possíveis, segurar as empresas viáveis que estão em dificuldade, proteger melhor os jovens casais, ajudar a manter empregos, dar alternativas aos que ficaram sem modo de vida útil, e apoiar as famílias nos tratamentos contra a doença, na educação e alimentação dos seus filhos e no cuidado aos seus idosos. São essas, neste momento, as minhas principais preocupações.

 

Todos sabemos que estamos muito dependentes da recuperação europeia e da recuperação portuguesa – para já não falar de outros lugares, como nos Estados Unidos, onde temos tantos açorianos – e todos sabemos igualmente que a retoma, nos Açores, do caminho de progresso que estávamos a trilhar, vai obrigar-nos ainda a sacrifícios e a mais aborrecimentos. Todos os dias chegam-nos medidas de fora, sejam em impostos sejam em mais custos na saúde, que exigem uma enorme ponderação na sua aplicação, às vezes obrigatória, e um enorme esforço por parte do Governo Regional para, ao mesmo tempo, proteger a Região e não prejudicar mais as pessoas. Não devemos nem temos que fazer sempre o que os outros fazem lá fora – para isso é que serve a nossa Autonomia –, mas são decisões e tarefas muito difíceis que temos de empreender diariamente, com responsabilidade face ao futuro e da melhor forma no presente.

 

É preciso, pois, ter iniciativa e confiança: depois da tempestade virá certamente a bonança. Todos, sejam quais forem as suas opiniões e funções, devemos estar a remar no mesmo sentido, a dar força aos Açores e a recuperar a tranquilidade que merecemos.

 

Vivemos, mesmo assim, numa terra de ilhas encantadas: não tenhamos dúvidas! Por esse mundo fora, morre-se de fome e abandonado na doença; tornam-se vítimas de guerras os que nem sequer compreendem as suas causas; rebentam bombas e eclodem catástrofes que já só no Natal têm direito a ser notícia; multidões fogem sem destino e sem refúgio. Por isso, temos de aprender a viver, na nossa terra, de acordo com as nossas possibilidades e necessidades, e não pensar que se pode ter o que se quer e que é o Governo que o tem de garantir. Se ambicionamos mais para a nossa Região, se queremos que ela seja melhor, não há dúvida de que, por esse Mundo fora, falta muita bondade, muita nova consciência e muita vontade para que ele seja pelo menos tolerável para os que nele vivem e mais aproximado do bem estar que aqui temos.

 

Vamos dar um bom exemplo no nosso Natal! Praticar a solidariedade e viver com responsabilidade e com esperança.

 

Esta é a última Mensagem de Natal que dirijo na minha qualidade de Presidente do Governo, visto que cessarei as minhas funções dentro de pouco menos de um ano. Continuarei, entretanto, a servir a minha terra e os meus concidadãos, a quem devo tudo e a quem dou o que tenho.

 

A todas as açorianas e açorianos, a todos os amigos dos Açores, onde quer que residam ou onde quer que estejam, seja nas Américas seja na Europa, e, de modo especial, aos que labutam nas nossas ilhas das Flores, do Corvo, de São Jorge, do Pico, do Faial, da Graciosa, da Terceira, de São Miguel e de Santa Maria, desejo, em nome do nosso Governo e em nome da minha família, umas boas festas e um ano novo cheio de felicidades.



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16 de Dezembro de 2011

Há 100 anos, o norueguês Roald Amundsen escreveu uma página hoje lendária na história da exploração polar, ao ganhar a corrida ao Polo Sul, pondo fim a um duelo épico e mortal com o britânico Robert Falcon Scott. No dia 14 de dezembro de 1911, em vésperas da Primeira Guerra Mundial, num período marcado pelo auge dos nacionalismos, Amundsen foi o primeiro a fincar uma bandeira, junto com os quatro companheiros de equipa, no ponto mais austral do mundo.

 

O acampamento base de Amundsen

 

Meses antes de iniciarem a caminhada, os homens de Amundsen instalaram-se na Antártida para fazer todos os preparativos e assegurar pontos de abastecimento. Amundsen enviou um telegrama a  Scott, avisando-o de que tinha já partido.

Foi a vitória do escandinavo pragmático sobre o oficial da marinha inglesa. Ambos sonhavam com conquistas: o norueguês cobiçava o Norte, e o inglês, o Sul. “Não conheço nenhum homem que tenha estado um dia num lugar tão diametralmente oposto ao seu objeto de desejo como eu estava naquele momento”, escreveu Amundsen sobre a sua façanha. De facto, foram as circunstâncias que o levaram à Antártida.

 

Scott e Amundsen: um objetivo, duas estratégias
Em plenos preparativos para se dirigir ao Polo Norte, Amundsen soube que os americanos Robert Peary e Frederick Cook haviam anunciado, cada um por sua vez, terem conquistado o Norte. Eram informações e declarações muito controversas, mas convenceram-no a buscar um outro horizonte. Em agosto de 1910, dirigiu-se ao sul às escondidas. Foi só em outubro que Scott leu um telegrama, na Austrália: “Tomo a liberdade de informá-lo de que Fram dirige-se à Antártida. Amundsen”. O “Fram” era o veleiro da expedição.

 Os britânicos, que fizeram da conquista do polo uma questão de honra, sentiram-se desafiados. A corrida tinha começado… As duas expedições chegaram à ilha-continente em janeiro. Nos primeiros meses, dedicaram-se a testar o material e a montar depósitos de víveres ao longo das rotas previstas. Uma vez passado o inverno austral, com a sua escuridão e as temperaturas glaciais, Amundsen, que levantara acampamento para mais perto do polo, foi o primeiro a lançar-se à aventura, no dia 20 de Outubro.

Ao observar detalhadamente os esquimós, durante a sua histórica travessia da Passagem Noroeste (1903-1906), Amundsen tinha tirado valiosas lições, como a importância dos cães puxadores de trenó e a superioridade da pele de rena em relação às roupas de lã. Para melhorar a mobilidade, os trenós tornaram-se, metodicamente, mais leves e os esquis – uma prática na qual os noruegueses são mestres – foram bem polidos. Além de serem velozes, os cães são também comestíveis: dos 52 animais que partiram, muitos foram sacrificados e comidos.

Na equipa adversária, os ingleses levavam “artilharia pesada”, muito pesada: além dos cães, tinham dois trenós motorizados que avariaram logo, assim como póneis inadequados, que acabaram por morrer. Depois de partir, no dia 1 de novembro, a expedição de Scott progredia com grandes dificuldades. Por não ter meios de tração adequados, os homens tinham que carregar equipamento pesado num clima inóspito.

No dia 16 de janeiro de 1912, quando estavam perto do seu objetivo, os cinco britânicos encontraram marcas de trenós. Amundsen tinha-se adiantado a eles!
Ao chegarem ao Polo, um mês depois dos rivais, encontraram uma tenda de campanha coroada com a bandeira norueguesa. “Meu Deus, este lugar é horrível”, escreveu o inglês em seu diário.

O retorno dos ingleses foi uma verdadeira via-crúcis, com temperaturas de 42°C abaixo de zero. Muito debilitado, um dos homens morreu. Depois, outro, com os dedos dos pés carcomidos pela gangrena. No meio de uma terrível tempestade de neve, os três sobreviventes ficaram presos na tenda, e morreram congelados e famintos, a menos de 18 km do depósito de alimentos mais próximo. O último registro do diário de Scott datava de 29 de março.
Amundsen já estava há mais de três semanas na Tasmânia, de onde anunciou a sua façanha ao mundo. Para os noruegueses, que haviam conseguido a independência da Suécia anos antes, ele era um herói nacional.

 

Depois do Polo Sul, o Polo Norte
Amundsen chegou finalmente ao Polo Norte em 1926, num dirigível, concretizando o seu sonho. Morreu dois anos mais tarde no seu amado Ártico, num acidente com um hidroavião francês que tinha partido para resgatar o explorador italiano Umberto Nobile, seu rival.
Os corpos do “perdedor magnífico” Scott – herói também no seu país – e dos seus companheiros de equipa foram encontrados em novembro de 1912.

 

 Antártida, a última fronteira

O fascínio pela Antártida – o continente mais longínquo e inóspito do planeta – não era novo quando Scott e Amundsen começaram a planear as suas viagens. Para as nações europeias, esta era a última fronteira. A grande massa gelada já tinha sido avistada antes, mas foi só no século XIX que se confirmou que a ‘terra australis’ era um continente.

A Antártida era um desafio científico, mas também um espaço de afirmação do poder e da capacidade das nações. Foram vários os exploradores que, antes de Scott e Amundsen, fizeram viagens exploratórias com diferentes objetivos – que não necessariamente atingir o Polo Sul. O balanço destas missões foi muitas vezes positivo em termos do conhecimento geográfico e científico, mas as perdas humana era frequentes. Numa época em que os exploradores contavam quase exclusivamente com a sua resistência física e psicológica para enfrentar as condições extremas do meio, sem tecnologia que lhes facilitasse a vida, o frio, o esforço e as dificuldades em garantir alimentos ditaram a sorte de vários exploradores – sendo o caso de Scott e da sua equipa o que mais abalou o mundo.

 

Terra de todos, terra de ninguém
O território antárctico não pertence atualmente a nenhum estado, embora haja vários países a reclamar a soberania de partes do continente – reivindicações que não são aceites pela comunidade internacional.

O Tratado da Antártida de 1959, assinado por 12 países, regulamenta o estatuto e o tipo de atividades permitidas no continente: a Antártida é considerada como reserva ambiental para investigação científica e não são permitidas atividades militares. Alguns protocolos foram sendo assinados de forma a impedir a exploração de recursos naturais. As visitas turísticas são restritas, mas há já preocupações quanto ao impacto que os visitantes podem ter no ecossistema austral.

A presença humana na Antártida – o único continente sem população humana nativa -  faz-se sentir hoje em dia sobretudo pelos cientistas que trabalham em várias dezenas de estações científicas de diversos países – uma população permanente que oscila entre os 1100 investigadores durante o inverno e os cerca de 4400 no verão. Biólogos, geólogos, meteorologistas e astrónomos, entre outros, levam a cabo estudos que seriam inviáveis em outros locais do planeta. A Antártida é especialmente adequada aos estudos astronómicos, devido à limpidez da atmosfera, e tem sido um ponto de referência para a monitorização da camada de ozono desde há várias décadas.

 

 

 

in Sapo/Noticias



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9 de Dezembro de 2011

A primeira longa-metragem filmada inteiramente com um telemóvel, «Olive», que marca o regresso ao grande ecrã da atriz Gena Rowlands, estreia-se na próxima semana em Los Angeles.

O filme contra a história de uma menina de dez anos, que não fala, e «como esta entra na vida de três pessoas: uma senhora solitária (Gena Rowlands), um homem obeso e um um estrangeiro que não se adapta à vida nos Estados Unidos», contou à Agência France Presse o realizador de «Olive», Hooman Khalili.

Mas no que esta película se destaca é na maneira como foi filmada, com a ajuda de um telemóvel Nokia N8. Para tal, a câmara integrada no telefone foi coberta por uma lente de 35mm – o formato habitual das câmaras de cinema – de modo a obter-se uma maior profundidade de campo.

Nas fotografias, que o realizador disponibilizou nas redes sociais, o telefone parece minúsculo ao lado da objetiva a que estava literalmente colado.

O trailer permite que se tenha uma visão geral do resultado. Para o espetador comum, a qualidade da imagem e o som são comparáveis a uma qualquer grande produção de Hollywood.

«A tecnologia avança muito depressa e, com o tempo, os telemóveis poderão fazer tudo», garante Hooman Khalili.

O filme não custou mais do que 375 mil euros, desembolsados por um antigo responsável da rede social Facebook, Chris Kelly, e um filantropo de São Francisco, William O’Keeffe.

 

 

 

Lusa



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8 de Dezembro de 2011

O dia de Nossa Senhora da Conceição que hoje celebramos “foi sempre um dia de festividade e solenidade grande” no seio da família Bragança que, de 1640 a 1910, reinou em Portugal, disse à Lusa a historiadora Joana Troni.

De D. João IV, que entregou a coroa de Portugal a Nossa Senhora da Conceição, por ter alcançado a vitória sobre os espanhóis e ter-se restaurado a independência, em 1640, a D. João V, que reinou de 1707 a 1750, “a corte é muito marcada pela religiosidade o que faz parte da cultura do tempo e naturalmente tinha um culto especial pela virgem”, disse a historiadora que com Ana Cristina Pereira é autora da obra “A vida privada dos Bragança”

Em declarações à Lusa, a historiadora afirmou que “à excepção dos períodos de interregno como quando a Corte esteve no Brasil [1807-1821] e o das guerras liberais [1828-1834]; quando a vida retoma o seu curso, festejavam de forma especial N.S. da Conceição, até porque está ligada à fundação da Dinastia [de Bragança]“.

“O gesto simbólico de D. João IV foi uma marca e fazer essa vivência anual é relembrar a questão da monarquia e da restauração”, disse.

A obra, “A vida privada dos Bragança. De D. João IV a D. Manuel II: O dia a dia na corte”, editada pela Esfera dos Livros, volta a juntar as historiadores Ana Cristina Pereira e Joana Troni que anteriormente tinham assinado “Amantes dos Reis de França”. 

O projeto das autoras é “a divulgação de uma história científica mas não tão académica quanto isso, e muito acessível ao público em geral”.

Referindo-se aos Bragança, a autora afirmou à Lusa que “eram muito dados à caça, mesmo as mulheres – temos o caso de D. Luísa Josefa, filha de D. Pedro II e de D. Maria Francisca que era uma exímia caçadora, até D. Carlos que na véspera do regicídio tinha vindo de uma caçada”, disse.

“A música é um interesse mais para alguns e não para todos, D. Pedro II por exemplo, comparado com o seu pai D. João IV, não gosta assim tanto, mesmo D. João V gosta mas não tanto como D. José que mandou construir a Ópera do Tejo. D. Maria I, filha de D. José tocava vários instrumentos, ela e as irmãs. A irmã, por exemplo, D. Maria Francisca Benedita, cantava, tal como a mãe D. Mariana Vitória. Mas em todos os Bragança a música é consensual”, referiu.

As “touradas” eram um espetáculo que congregava toda a Família Real e que se realizava “esporadicamente ao longo do ano”.

Outro prazer “privado” dos Bragança era navegar no Tejo, D. Luís e D. Carlos “tinham paixão pelo mar” e “D. José por exemplo, passeava-se de barco sozinho com a Rainha no Tejo”.

Para a autora o mais surpreendente da investigação feita para o livro foi a troca de correspondência entre a família “porque, sendo rei e princesa ou príncipe, afinal são pais e filhos e as cartas evidenciam laços afetivos fortes e, no fundo, são como outras pessoas quaisquer”.

“D. Luísa de Gusmão escreve que já não tem vontade de viver com a preocupação de ter o filho, D. Teodósio, na guerra, contrariando o pai [D. João IV] e, quando partiu a filha, D. Catarina, afirma-se muito lastimosa”, disse a historiadora.

“Surpreendeu-me até a descrição que fazem de si próprias. Por exemplo, a infanta Maria Bárbara, que era rainha de Espanha escreveu ao pai [D. João V] afirmado que se sentia feia e gorda e com pouco jeito para dançar”, contou.

Joana Troni escreveu com Ana Cristina Pereira e Paula Lourenço “As amantes dos Reis de Portugal”, e “As amantes dos Reis de França”, com Ana Cristina Pereira. Em 2008 publicou “Catarina de Bragança (1638-1707)”, a sua tese de mestrado.

 

 

 

LUSA



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5 de Dezembro de 2011

No passado mês de setembro, 62,1% das caixas descodificadoras para TDT vendidas em Portugal apresentavam preços inferiores a 30 euros e 32,7% tinham preços entre os 30 e os 50 euros, revela a Anacom .

Os dados comprovam que o preço dos descodificadores de TDT tem mantido uma tendência decrescente. No terceiro trimestre de 2011 o valor médio rondou os 37 euros, menos 18% que no trimestre anterior.

No mês de setembro o preço médio situava-se nos 34 euros, menos 24,4% do que em junho, mês em que o preço médio dos descodificadores estava nos 45 euros.

Em termos acumulados, no terceiro trimestre, as vendas de descodificadores de TDT com preços inferiores a 30 euros somaram 48,8% do total dos equipamentos vendidos.

“Os consumidores estão a apostar na compra dos equipamentos mais baratos que estão à venda no mercado para assegurarem a sua migração para a TDT”, refere o regulador numa nota enviada à imprensa.

Muito recentemente, a Deco atualizou a lista de descodificadores compatíveis com a TDT, que agora reúne informações sobre mais de 51 modelos, com preços a partir de 27,90 euros. Na listagem que a associação publica no seu site é possível ter acesso a informação sobre preços, características e lojas com os melhores preços para cada modelo.

Apesar de salientar que a venda de caixas descodificadoras está a crescer “a bom ritmo” (com um crescimento de 29% entre julho e setembro), “em termos absolutos, ainda estão muito abaixo do necessário para que a migração se faça sem sobressaltos”, considera a Anacom.

Numa altura em que toda a população está já coberta pela TDT, o regulador defende que “é importante que as pessoas comecem a preparar a transição desde já, evitando a pressão dos últimos dias e os riscos de ficarem sem ver televisão temporariamente”.

“De facto, se todos deixarem a migração para a TDT para o último dia é provável que não encontrem disponíveis os equipamentos de preço mais baixo, ou que não encontrem mesmo equipamentos à venda, já que nesse cenário poderão existir ruturas de stocks”, avisa a Anacom.

O desligamento do sinal analógico de televisão a nível nacional começa no próximo dia 12 de janeiro, seguindo-se os Açores e a Madeira a 22 de março, e a 26 de abril o resto do país.

 

 

in Sapo



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2 de Dezembro de 2011

A procura do perfeccionismo pelos atletas de alta competição pode provocar comportamentos alimentares de risco, concluiu um estudo da Universidade do Minho realizado com base em questionários feitos a 299 atletas.
Os autores do estudo, Rui Gomes e Luiz Silva, não encontraram no comportamento dos desportistas qualquer associação com a pressão assumida pelo treinador, “não se confirmando assim a importância que outros estudos têm vindo a atribuir aos técnicos na promoção de comportamentos alimentares problemáticos nos atletas”.

Os resultados deste trabalho indicam também que a pressão dos pais ao nível da restrição alimentar é superior aos padrões de exigência pessoal dos próprios desportistas.

O estudo permitiu concluir igualmente que não existem grandes diferenças de comportamento independente da idade dos inquiridos, ao contrário do que avançam outras investigações, que associam as perturbações alimentares aos mais novos.

No entanto, as diferenças de idade tornaram evidente o facto de os mais novos apresentarem padrões de perfeccionismo mais elevados do que os seus colegas mais velhos, nomeadamente pela preocupação com os erros, pela pressão parental e pela pressão do treinador.

O texto conclui que as dimensões pessoais (sexo, perceção de peso ideal) e desportivas (títulos obtidos) permitem ter uma melhor perceção da tendência para as desordens alimentares.

Segundo a investigação, que refere existir uma maior tendência das mulheres para comportamentos alimentares de risco, os atletas que manifestam um ideal de peso abaixo do atual tendem a ter mais problemas de comportamento alimentar, maiores níveis de insatisfação corporal e preocupação com as avaliações dos outros acerca da sua forma corporal.

O estudo tornou igualmente claro que a preocupação com os erros está intimamente associada aos comportamentos alimentares de risco.

A investigação recente demonstra que as dimensões negativas do perfeccionismo (preocupação com os erros, dúvidas acerca das opções assumidas, as expetativas goradas e as reações negativas face aos erros cometidos) estão associadas a problemas psicológicos como a ansiedade, o esgotamento ou a baixa autoestima.

As desordens alimentares dizem respeito a problemas psiquiátricos potencialmente ameaçadores da vida e as mais conhecidas são a anorexia, que se caracteriza por um medo mórbido em engordar, e a bulimia nervosa, que se caracteriza por episódios de ingestão alimentar incontrolável, seguidos por algum tipo de comportamento compensatório.

No que diz respeito ao perfeccionismo, os atletas com essa personalidade caracterizam-se por padrões de exigência elevados, acompanhada por uma tendência para serem demasiado críticos na avaliação do seu próprio comportamento.

Participaram neste estudo 299 atletas (146 mulheres, 48,8%; 153 homens, 51,2%) com idades entre os 14 e os 39 anos e na distribuição por modalidades, a maioria praticava desportos coletivos (195, 65,2%), enquanto 104 atletas (34,8%) estavam em desportos individuais.

De um modo geral, os participantes competiam nas principais divisões das respetivas modalidades (111, 77,1%) e um número significativo de atletas obteve êxitos desportivos (alcançaram o título de campeões nacionais) (86, 28,8%).

Os atletas distribuíram-se por três escalões competitivos: juvenis (133, 44,5%), juniores (90, 30,1%) e seniores (76, 25.4%).

Lusa



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30 de Novembro de 2011

Pedro Passos Coelho insistiu nesta quarta-feira que Portugal não tem outro caminho para sair da crise senão seguir com a austeridade e admitiu avançar com medidas adicionais para o país cumprir a meta do défice em 2012.

Embora diga que o cenário não está em cima da mesa, o primeiro-ministro não fechou a porta a essa possibilidade. “Claro que nós podemos adoptar novas medidas”, reconheceu, em entrevista à SIC, admitindo que o orçamento do próximo ano – que definiu como o “mais difícil” da história moderna de Portugal – deixará o país em recessão. Mais do que o recuo económico de 3% estimado pelo Governo? “Inevitavelmente vai trazer alguma recessão”, respondeu.

Questionado sobre a hipótese de apresentar um orçamento rectificativo, Passos foi vago na resposta, contrapondo apenas que utilizará “todos os mecanismos” para uma boa execução do OE. Para que as empresas possam continuar a financiar-se, o Governo está ainda a discutir com a troika “alguma flexibilização”, mas isso, frisou, não significa necessariamente mais dinheiro a pedir à União Europeia e ao FMI.

Questionado sobre se o Governo português está preparado para um eventual desmembramento do euro, Passos afirmou: “Temos de estar preparados para todas as eventualidades”. Mas sublinhou que o executivo está empenhado em defender a moeda única e que uma eventual implosão do euro significaria uma catástrofe para a União Europeia.

Sobre as posições que tem assumido quanto à resposta europeia à crise da dívida, nomeadamente a sua oposição à ideia da Comissão Europeia de criar obrigações europeias, o primeiro-ministro respondeu com a necessidade de os 17 países do euro equilibrarem as contas públicas. “Sobre isto não há uma segunda opinião ou divergência na Europa”, afirmou.

Confrontado com divergências em declarações públicas entre responsáveis do Governo e críticas dentro do PSD, rebateu que não tem medo “de quaisquer fantasmas internos”. E rejeitou um cenário de remodelação governamental, ao contrapor que a “forma de funcionar [dentro do executivo é] extremamente produtiva e leal”.

Questionado sobre divergências de opinião com o Presidente da República, limitou-se a comentar indirectamente que os alertas que Cavaco lançou sobre a falta de equidade social na repartição de sacrifícios resultam de “leitura diferente”.

 

 

in Publico



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14 de Novembro de 2011

Mais de meio milhar de crianças estão à espera de ser adoptadas em Portugal, mas o número de candidatos é quatro vezes maior ao de crianças e jovens que aguardam por uma família, segundo o Instituto  de Segurança Social. 

 

 

Dados do Instituto de Segurança Social (ISS) avançados à agência Lusa  indicam que, em Junho de 2011, havia 567 crianças em situação de adoptabilidade  jurídica. Informações mais recentes revelam que em agosto já tinham sido adoptadas seis crianças, havendo ainda 64 com proposta de família e 500 já  em fase de pré-adoção.  

Para as crianças que estão em situação de adoptabilidade, existem 2.316  candidatos em lista de espera. 

De acordo com os dados do ISS, os meninos estão em maior número para  adoptar (60 por cento). Do total destas crianças, 186 têm entre 11 e 15 anos,  159 têm idades entre os sete e os 10, 114 entre os zero e os três anos e  108 entre os quatro e os seis.  

A adopção estará hoje e terça-feira no centro do debate na Fundação Calouste  Gulbenkian, em Lisboa, num congresso internacional que reunirá vários especialistas  em torno do tema “Família e adopção – construção da identidade”. 

O Congresso organizado pelo ISS, pela Santa Casa da Misericórdia de  Lisboa e pela CrescerSer pretende pôr em comum um tema central na adoção:  “a questão da identidade dos indivíduos e famílias na promoção e construção  deste projeto de vida e na sua vivência socialmente integrada”. 

Os dados do ISS divulgados à agência Lusa revelam ainda que a maior  parte dos candidatos em lista de espera (2.154) prefere as crianças com  idade até aos três anos e apenas 23 não se importa de acolher jovens entre  os 11 e os 15 anos. 

Segundo o ISS, “até aos seis anos o número de pretensões é cerca de  15 vezes superior ao número de crianças disponíveis”, enquanto que “acima  dos sete anos o número de pretensões corresponde a 4/5 das crianças disponíveis”.

Entre as crianças que estão para adoptar, 217 têm irmãos, referem os  dados, especificando que existe um grupo com cinco irmãos, cinco grupos  de quatro irmãos, 18 de três e 69 com dois irmãos. 

“Só cerca de 1/5 dos candidatos em lista de espera aceitam adoptar irmãos”,  observa o Instituto de Segurança Social. 

Perto de metade das 567 crianças em situação de adopção tem problemas  de saúde: 111 ligeiros, 84 graves e 80 são portadores de deficiência. 

O ISS salienta que o número de crianças com problema e/ou deficiência é superior ao número de candidatos que as aceitam e, por outro lado, o número  de candidatos (2.111) que pretendem crianças sem problemas de saúde é cinco  vezes superior ao de crianças disponíveis (375). 

Segundo o Instituto, para as 84 crianças com graves problemas de saúde  há apenas um candidato, o mesmo se passa com os 80 meninos com deficiência  que apenas têm o interesse de dois candidatos.  

Em 2010, os serviços de adopção dos Centros Distritais do ISS propuseram  e integraram em famílias adoptantes 384 crianças, sendo que destas 297 foram  decretadas pelos tribunais. Estes dados não contemplam as adopções concretizadas  pela Santa Casa da Misericórdia de Lisboa e pela Segurança Social da Madeira  e dos Açores.  

Nesse ano, 12 crianças regressaram à alçada do Instituto de Segurança  Social, vendo assim “interrompido o seu processo de pré-adopção” por ter-se  constatado “não existir viabilidade de concretização daquele projecto”. 

“Apesar de se tratar de um número residual (três por cento), e o menor  dos últimos cinco anos, merece a nossa preocupação, pelo que temos vindo  a trabalhar no sentido de minorar a sua existência. Uma das apostas feitas  tem sido na formação para a adopção”, sublinhou o ISS. 

 

 

LUSA



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30 de Outubro de 2011

Começa já este domingo a 7ª edição do Faial Filmes Fest – Festival de Cinema dos Açores.

Com novas ambições, dois mil e onze será o ano da confirmação da Lusofonia no maior evento cinematográfico que se realiza no arquipélago açoriano e ao mesmo tempo de uma nova experiência: a abertura de uma secção competitiva para a longa-metragem. O Faial Filmes Fest deixará assim de ser o Festival de Curtas das Ilhas e afirma-se definitivamente como o Festival de Cinema dos Açores, alargando o seu espaço de expressão cinematográfica.
Ao longo dos anos, têm-se cruzado no Festival de Cinema dos Açores referências obrigatórias da cinematografia portuguesa com a nova geração de cineastas lusos, de entre os quais despontam jovens realizadores ilhéus, e a imensa diversidade cultural do espaço da Lusofonia, juntos numa celebração da 7ª Arte que congrega também a literatura e a música.

 

Com um vasto programa que aglomera as sessões competitivas curtas e longas e o FFF Escolas, o Faial Filmes Fest vai homenagear este ano o realizador António de Macedo, tido como um dos cineastas mais activos do denominado cinema novo português.

No período que medeia entre 1966 e 1971, António de Macedo fez parte do grupo de cineastas que se bateram para que o cinema português tivesse um estatuto de qualidade e de autonomia criativa, e que fosse promulgada uma nova Lei de Cinema. Este movimento viria a culminar com a criação da primeira cooperativa de cinema existente em Portugal, o Centro Português de Cinema — CPC (1970) em que Macedo teve um papel determinante, tendo sido um dos seus fundadores e de cuja Direcção fez parte. A fundação deste organismo constituiu um passo decisivo que obrigou o Estado à promulgação da Lei de Cinema.

António de Macedo, que realizou 11 longas-metragens e dezenas de curtas-metragens, além de vários trabalhos para televisão, abandonou o cinema no final dos anos 1990 por se sentir marginalizado, passando a dedicar-se apenas à escrita. Será exibido o seu filme «Almada Negreiros Vivo Hoje».

 

Em antestreia na região o Festival de Cinema dos Açores apresentará o filme «Dharma Guns», do realizador francês F.J. Ossang, apresentado este ano no Festival de Cinema de Veneza, e que foi parcialmente rodado na região estando já confirmada a presença do realizador para assistir à exibição.

Extra-competição, será exibido o documentário «É na Terra Não É na Lua», o mais recente filme de Gonçalo Tocha, rodado na ilha do Corvo. A presença do realizador na plateia possibilitará uma conversa com o auditório no final da sessão o que acontecerá com todos os outros realizadores presentes durante todo o Festival, nomeadamente Rodrigo Areias, Edgar Pêra, Sérgio Tréfaut e Susana Sousa Dias. Teresa Villaverde por motivos de agenda não poderá estar presente, na apresentação do seu mais recente trabalho “Cisne”, que será exibido dia 01 de Novembro.

 

O Faial Filmes Fest que decorrerá de 30 de Outubro a 5 de Novembro contando com 33 curtas-metragens e nove longas na seleção oficial, preparou para o encerramento desta edição um Filme –Concerto : Aurora (Sunrise – a song of two humans), de F.W. Murnau. Um espectáculo de particular sensibilidade que não deixará o público indiferente.

Este filme, “um filme infinitamente culto, simbólico, ou seja, cem por cento europeu”, a quem a critica se rendeu incondicionalmente, obteve o Óscar – “melhor produção de qualidade artística” – no ano I das famigeradas estatuetas.

 

A 7ª edição do Faial Filmes Fest – Festival de Cinema dos Açores conta ainda com a presença de uma delegação brasileira ligada á 7ª arte, entre eles, João Pimentel Neto, presidente do Conselho Brasileiro de Cinema e Sáskia Sá, vice-presidente do Conselho Nacional de Cineclubes do Brasil.

 

 

 

 

Diáriamente o Programa na nossa AGENDA : http://www.faialonline.com/agenda/programcao-diaria-faial-filmes-fest-%e2%80%93-festival-de-cinema-dos-acores/



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